Adubação com silício reduz pragas e doenças na agricultura
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 31 (AE) O silício ainda é um elemento pouco conhecido na agricultura, mas promete crescer muito em importância com os novos estudos de seu papel na nutrição de algumas plantas como arroz e cana-de-açúcar. Absorvido pelas raízes junto com a água, o silício tende a acumular-se nas folhas de algumas gramíneas, formando uma barreira protetora contra o ataque de insetos e fungos e regulando a perda de água da planta por evapo-transpiração. Em outras palavras, a adubação complementar com silício aumenta a produtividade e reduz gastos com pesticidas.
"A adubação com silício ainda é desconhecida, no Brasil
mas nossos estudos indicam um aumento de produtividade de até 10 toneladas por hectare nos canaviais e o aumento da resistência de culturas de arroz contra brusone, mancha parda e descoloração dos grãos", afirma Gaspar Korndrfer, da Universidade Federal de Uberlândia, UFU (http://www.deago.ufu.br), a primeira a montar um laboratório especializado na análise de solo visando a quantificação do silício.
Korndrfer explica que o silício polimeriza na superfície das folhas - exatamente como o silicone utilizado em próteses - formando uma camada mais dura e mais difícil de transpor para os insetos-praga e para os fungos causadores de doenças. A diferença em relação ao silicone é que esta polimerização é reversível, regulada pela quantidade de água disponível nas raízes da planta (quanto menos água mais polimerizado fica o silício e vice-versa).
A disponibilidade de silício também determina a estrutura das plantas, que ficam mais eretas, evitando o acamamento (quando o pé de arroz ou cana deita no solo, reduzindo a produtividade). E a adubação à base de silicatos ainda serve para a correção de acidez, substituindo o uso do calcário, um elemento fundamental em quase todos os solos brasileiros.
A equipe da UFU estendeu os estudos do silício a plantas de cerrado e a outras gramíneas, como o capim braquiária, para verificar a capacidade de acumular o elemento em suas folhas. "As plantas do cerrado também acumulam silício e estão nos ajudando muito a entender os mecanismos de absorção e retenção"
conta Korndrfer, que vem usando este conhecimento no aprimoramento da adubação para culturas comerciais.
O laboratório que ele coordena desde 1994, em Minas Gerais, tem uma equipe de cinco pesquisadores, dois pós-graduandos e diversos estudantes de graduação. A equipe trabalha em convênio com a University of Florida (http://www.ifas.ufl.edu) dos Estados Unidos, e conta com recursos da ordem de 200 mil reais anuais, da Fundação Banco do Brasil, FBB (http://www.fbb.org.br), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, FAPEMIG (http://www.fapemig.br), e de usinas privadas de açúcar e álcool.
A tradição na adubação de silício para culturas de arroz vem da ásia, com destaque para pesquisas desenvolvidas no Japão, Coréia e Filipinas. Os EUA já incorporaram a adubação nas culturas de cana-de-açúcar, utilizando principalmente o silicato de cálcio, um resíduo da indústria de fósforo elementar. No Brasil, ainda é necessário identificar fontes baratas de silício
pois o tipo mais abundante - um resíduo de usinas siderúrgicas - não é bem absorvido pelas plantas, além de oferecer riscos de contaminação por outros produtos químicos. Existe pelo menos uma marca comercial de adubo termofosfatado que já contém silício, embora a empresa explore pouco esta vantagem de seu produto.
Maiores informações com Gaspar Korndrfer, pelo endereço eletrônico [email protected] ou do telefone (034) 2125566.


