Aduana facilita desembaraço
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de abril de 1997
Valmir Denardin 
Ney de Souza
AgilizaçãoLado argentino da aduana depois da abertura da EAF (acima): fim das filas intermináveis. Mudança agilizou desembaraço de cargas e agradou caminhoneiros
A centralização do processo de fiscalização das cargas que entram ou saem do Brasil por Foz do Iguaçu na Estação Aduaneira de Fronteira (EAF), iniciada em 7 de abril, melhorou o tráfego na Ponte Tancredo Neves, na fronteira entre Brasil e Argentina.
Até então, o desembaraço (processo de fiscalização dos produtos e expedição de documentos) das cargas argentinas que entravam no País por Foz era feito em uma aduana integrada instalada próximo à ponte, que liga o município paranaense a Puerto Iguazú, na Argentina, e também é conhecida como Ponte da Fraternidade.
Além de prejudicar o tráfego na ponte, o desembaraço no local era lento. Em alguns casos, chegava a durar até uma semana - o que acabava fazendo com que cargas perecíveis se estragassem. A demora provocava congestionamento de caminhões e protestos. Somente neste ano, caminhoneiros realizaram três manifestações pedindo mais rapidez no processo. A Receita Federal promete reduzir no mínimo pela metade o tempo para o desembaraço das cargas.
Instalada no pátio da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná, (Codapar) na BR-277, a EAF, para onde foi transferido o desembaraço de cargas argentinas, possui melhor estrutura. O local já centralizava as operações de fiscalização das exportações e importações entre Brasil e Paraguai por Foz do Iguaçu.
Antes da centralização, a EAF processava diariamente a documentação de uma média de 500 cargas. Segundo a Receita Federal, o desembaraço das importações argentinas representou um aumento de 40% no movimento diário de caminhões no local. O volume diário subiu para 750 cargas.
Por causa desse aumento, o trabalho na estação aduaneira ficou comprometido nos primeiros dias. Faltou espaço no pátio - que comporta apenas 500 caminhões-, o excesso de caminhões na entrada atrapalhou o trânsito na rodovia e os computadores do Sistema Informatizado de Comércio Exterior (Siscomex), ficaram sobregarregados.
Para resolver o problema, a Receita Federal instalou novos computadores, abriu um novo acesso à EAF e promete duplicar o tamanho do pátio da estação - de 95 mil metros quadrados para 195 mil metros quadrados.
Apesar das dificuldades iniciais, caminhoneiros argentinos aprovaram a transferência. Aqui é bem melhor. Tem banheiro e mais segurança. Lá na ponte estávamos sujeitos ao roubo das cargas, afirmou Eduardo Ferreira, 33 anos, que transporta azeitona da Província de Mendoza para o Brasil.


