O incentivo a novos investimentos na região de Paranavaí ganha força a partir desta semana, com o início das atividades da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR). A entidade, que vai trabalhar em parceria com a agência estadual, assume o papel de identificar o potencial e atrair empreendimentos aos municípios participantes. O prefeito de Paranavaí, Antonio Teruo Kato (PSDB), diz que o empenho é fortalecer os setores primários, aproveitando a matéria-prima disponível na região.
‘‘Nossa prioridade é continuar incentivando projetos nas áreas onde já estamos em atividade, com destaque para a agroindústria’’, diz Kato. As indústria de transformação do produto primário respondem pela maior fatia de arrecadação de impostos e geração de empregos na cidade. O setor contribui ainda para ocupação de mão-de-obra de toda a região, formada por 29 municípios polarizados por Paranavaí. Balanço da prefeitura referente às empresas que mais contribuíram para engrossar a cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), revela que entre as 16 primeiras colocadas nove são agroindústrias.
As três melhores colocadas no retorno da arrecadação de ICMS, referente a 1997, aponta uma avícola, uma indústria de derivados de milho e um frigorífico. Segundo o secretário municipal de Fazenda, Rafael Cargnin, são 600 agroindústrias que garantem por aproximadamente 40% da arrecadação de ICMS. O comércio fica com cerca de 37% do resultado final. A transformação começou com a liberação do plantio de frutas cítricas no Paraná, na década de 80. Região de arenito, o Noroeste polarizado por Paranavaí, saiu na frente na implantação de pomares.
A prefeitura apostou no projeto e iniciou um trabalho de incentivo na instalação da indústria de sucos, junto com a Cocamar. O diretor-superintendente da Paraná Citrus, Marcos Loli, revela que a empresa movimentou R$ 10 milhões no ano passado. ‘‘Queremos dobrar o faturamento até o final do ano’’, promete. A indústria de sucos emprega 150 trabalhadores, mas indiretamente são mais de 2 mil postos de trabalho. Os empregos direto envolvem basicamente moradores de Paranavaí, Tamboara, Maringá e o distrito de Sumaré. Os indiretos atingem uma região muito maior, praticamente todo o Noroeste, nos 40 municípios onde existem pomares.
Em 1995, uma outra grande empresa de transformação se instalou em Paranavaí, a Avícula Felipe, que hoje gera mais de 400 empregos diretos na região. Com um faturamento de R$ 20 milhões no ano passado a empresa movimenta mais de 700 trabalhadores que atuam desde a produção da ração até o transporte do produto acabado. ‘‘Nossa meta é atingir um faturamento de R$ 32 milhões’’, informa o diretor comercial da avícola, Mário Fernando Camargo.
Na atual administração foi implantada uma nova política de incentivos fiscais, estendendo a isenção de impostos municipais às empresas instaladas na cidade. A intenção é de promover a expansão das indústrias, oferecendo prazos mais longos de incentivo conforme a geração de empregos. Uma das primeiras empresas beneficiadas foi a Laticínios Iva, fundada em 1991. A indústria atuava apenas na fabricação de queijo, e o incentivo permitiu a instalação de uma unidade de envase de leite longa vida.
O gerente-geral do laticínio, Damasio Zanelato, revela que o faturamento de R$ 5 milhões deve saltar para R$ 8 milhões até o final do ano. A geração de empregos é outro fator de peso no setor leiteiro. Apesar da indústria contar com 92 funcionários em quatro municípios, indiretamente o número de trabalhadores envolvidos se multiplica. São, segundo Zanelato, 2,5 mil pessoas em 30 municípios, envolvendo ainda 350 produtores integrados à empresa.
Outra cultura tradicional na região de arenito, a mandioca, também tem peso significativo na economia da região. A Indemil, maior indústria do setor, emprega mais de mil trabalhadores. Um grande volume nos distritos de Graciosa e Paulo Afonso.
A diversificação agroindustrial é outro fator de incentivo ao desenvolvimento da cultura de mandioca. Há quatro anos a Alimentos Mil iniciou a produção de supergelados. Mandioca pronta para fritar, croquete e um creme de mandioca para uso culinário. A empresa fatura cerca de R$ 100 mil e emprega 36 pessoas.
Pelos cálculos do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca, Ivo Pierin, cada uma das mais de 40 farinheiras da região emprega pelo menos 10 trabalhadores. ‘‘Toda essa estrutura garante a manutenção de 2 mil empregos em um raio de 70 quilômetros das indústrias, gerando uma receita em torno de R$ 50 milhões por ano’’, calcula. Pelo menos 60% do setor está em Paranavaí.
A política de incentivo a novos investimentos atraiu também empresas pequenas, com potencial para crescimento, dentro de um projeto de incubadora industrial. A instalação da Textilpar, em 1990, gerando 140 empregos e um faturamento de R$ 16 milhões, atraiu pequenas confecções e também metalúrgicas, marcenarias, indústrias químicas e de calçados. Juntas as empresas da incubadora iniciaram criando 45 empregos. Hoje apenas uma fábrica de bolsas, que já saiu do barracão da incubadora, tem 30 empregados.Fotos: Divulgação







PioneirasAgroindústrias processadoras de carne, leite, suco de laraja, farinha e avículas já se estabeleceram na região; setor contribui ainda para ocupação de mão-de-obra de todos os municípios polarizados por ParanavaíSilvana Porto
Especial para a Folha

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