"Adolf" da Sérvia condenado a 40 anos
Haia, 14 (AE-AP) - O Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga os crimes de guerra na antiga Iugoslávia, sentenciou hoje (14) o sérvio-bósnio Goran Jelisic a 40 anos de prisão, a pena mais severa imposta por essa corte, criada em 1993.
Jelisic foi condenado em outubro por 31 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, que incluem torturas e assassinatos de pelo menos 13 muçulmanos e croatas quando ele era comandante do campo de prisioneiros de Luka, no norte da Bósnia.
O condenado, um mecânico agrícola de 31 anos, que ordenava aos prisioneiros que o chamassem de "Adolf (Hitler) da Sérvia", já havia confessado seus crimes e, hoje, escutou sua sentença em silêncio.
"Os crimes que o senhor, Goran Jelisic, cometeu estremeceram a consciência da humanidade", disse-lhe Claude Jorda, o juiz francês que presidiu a audiência após ler lentamente os nomes de todas suas vítimas.
O juiz acrescentou que a natureza dos crimes de Jelisic era "repugnante, bestial e sádica" e considerou agravantes "seu entusiasmo para cometer os crimes, a desumanidade dos crimes e a natureza perigosa do acusado".
Durante duas semanas, em maio de 1992, Jelisic executou "entre 20 e 30 prisioneiros" antes de tomar o café da manhã com tiros na nuca e tendo o cuidado de colocar um lenço entre a arma e a cabeça da vítima para evitar "manchas desnecessárias" de sangue.





