Agência Estado
O casal de adolescentes que estava desaparecido desde quarta-feira reapareceu na noite de sexta-feira. ‘‘Era uma aventura’’, contou Nathália Soraggi da Costa, de 13 anos. ‘‘Mas descobri que não valeu a pena, senti muito medo.’’ Nathália e Daniel de Souza Abrantes Coelho, de 14 anos, estavam em Carmo da Mata (MG) e voltaram de carona. Os dois estão bem, mas a moça garantiu que o namoro acabou. ‘‘Eu não tenho mais namorado’’, limitou-se a dizer.
Nathália e Daniel se conheceram em um chat (grupo de conversa) na Internet há dois meses. Em pouco tempo eles começaram a trocar longos e-mails e a se falar por telefone. Na sexta-feira da semana retrasada se conheceram pessoalmente. Foi então que decidiram fazer o passeio.
Segundo eles, não havia intenção de fugir de casa. ‘‘Escolhemos essa cidade porque Daniel já havia passado por lá em um passeio da escola e a tinha achado bem bonita’’, explicou Nathália.
Os dois tomaram um ônibus para a cidade mineira às 12 horas de quarta-feira. Nathália tinha R$ 40 e Daniel R$ 35. Os jovens chegaram a Carmo da Mata por volta das 19 horas e passaram a noite em um hotel. ‘‘Senti muito medo’’, contou Nathália, sem explicar a razão de seus temores.
‘‘Quando ela se viu sozinha, ficou querendo os pais, a segurança da família’’, explicou a mãe da adolescente, a psicóloga Susana Soraggi da Costa. Na manhã de quinta-feira, já sem dinheiro, os dois resolveram pegar carona para voltar para o Rio.
‘‘Foram diversos caminhões até conseguirem chegar, por volta das 23 horas’’, contou Susana. Daniel desceu do último caminhão na Avenida Brasil, na altura de Parada de Lucas, onde mora, e deixou a namorada seguir sozinha para Niterói, a cerca de vinte quilômetros de distância. O motorista não deixou Nathália em Icaraí, bairro em que mora, mas na Avenida do Contorno, no centro de Niterói. Um casal que passava de carro e sabia do sumiço da jovem pelos jornais a levou para sua casa.
‘‘Daniel chegou em casa muito antes, mas a família dele sequer ligou para dizer que eles já tinham voltado’’, reclamou Susana. ‘‘Soube por um repórter que ligou para cá.’’ Como Nathália não chegava, Susana ficou desesperada e foi à Ponte Rio-Niterói e começou a parar os caminhões que passavam em busca da filha. O pai da jovem, o engenheiro Ricardo Soraggi da Costa, foi para a Rodoviária do Novo Rio e pediu a um parente que ficasse de vigília no Terminal Rodoviário de Niterói.
‘‘Não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz’’, afirmou Nathália, que fez questão de falar com a imprensa. ‘‘Acho também que namoro virtual não dá em nada, não vale a pena.’’ Susana fez um apelo às autoridades para que os menores sejam proibidos de viajar sem autorização dos pais. De acordo com a lei em vigor, os maiores de 12 anos que estiverem com documento não precisam de autorização. Daniel e seus pais, Luís e Edna de Souza Abrantes Coelho, não quiseram dar entrevistas. Por telefone, Edna limitou-se a informar que Daniel estava bem.

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