Um grupo de adolescentes vestidos de preto obrigou a prefeitura de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, a reforçar o policiamento próximo aos cemitérios da cidade esta semana. Nos últimos dias, os rapazes invadiram os dois maiores cemitérios da cidade, quebraram sepulturas, roubaram retratos com a imagem dos mortos, estátuas de bronze e chegaram a violar os túmulos, deixando ossos à mostra. Os adolescentes diziam que estavam comemorando a ''semana'' do Halloween (Dia das Bruxas), e voltariam na noite de anteontem, 31, quando a data é comemorada nos Estados Unidos.

''Eles fizeram coisas absurdas, jogaram pedras uns nos outros, picharam o cemitério, roubaram até as fotografias'', disse o administrador do Cemitério São Gonçalo, Joaquim Ferreira Silva, que chamou a polícia. Ele não confirmou a informação de que os jovens teriam feito sexo entre os túmulos.

O São Gonçalo é o maior cemitério do município, tem 12.100 sepulturas e é conhecido pelo abandono e acúmulo de lixo, que emprestam ao local um ar de cenário de filme de horror. De acordo com Ferreira, no entanto, desde o início do ano os funcionários têm mantido o cemitério limpo.

No Cemitério São Miguel, 10 sepulturas foram violadas. Há crânios e ossos espalhados por vários pontos. O cemitério foi construído para o enterro das vítimas do incêndio do Gran Circo Americano, em Niterói, na década de 60, e tem 3 mil sepulturas.

A promotora substituta da 2 Vara de Infância e Juventude de São Gonçalo, Simone Gomes de Souza, disse que desde 1999 investiga o grupo de ''góticos''. Além de frequentarem cemitérios, eles costumam ir ao Palacete, uma casa abandonada no alto do Morro da Chumbada. ''Há informações de que adolescentes de 15 anos se reúnem ali para beber, usar drogas e praticar certos rituais'', contou Simone. Vizinhos disseram que os garotos costumam ser vistos com crânios e outros ossos.

Em setembro, o procedimento instaurado pela Vara de Infância e Juventude foi encaminhado para a Central de Inquéritos do MP.

O chefe da Guarda Municipal, coronel Antônio Oswaldo da Silva, reforçou o policiamento nos quatro cemitérios da cidade. Ele já sabe que os garotos que têm cometido os atos de vandalismo são de classe média e estudantes da região, mas não identificou o grupo. ''São adolescentes, que se inspiram nos filmes de terror americanos, vestem-se de preto, dizem que são satanistas e invadem cemitérios'', disse o coronel.

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