Adolescentes do caso das 'pulseiras do sexo' são ouvidos
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quinta-feira, 01 de abril de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Dois garotos, um de 15 e outro de 16 anos, que teriam participado da violência sexual contra uma menina de 13 anos na semana passada, em decorrência das ''pulseiras dos sexo'', prestaram depoimento na Delegacia do Adolescente de Londrina, na manhã de ontem. O rapaz de 18 anos, que já havia sido ouvido na semana passada, confirmou a relação. Um adolescente continua sem identificação.
Segundo o delegado titular, Júlio César de Souza, os jovens admitiram que tiveram relações com a menina, mas assim como o maior de idade, negam que tenham forçado qualquer ato. ''As declarações conflitantes não os eximem da culpa pelo crime de violência contra menor'', disse. Ainda segundo ele, há possibilidade de haver uma acareação.
O delegado pretende ouvir mais testemunhas, inclusive um quinto jovem que teria ido à casa enquanto a menina sofria o abuso. ''Vamos ouvir a mãe do rapaz maior de idade que, segundo ele, estava na casa também'', acrescentou. Souza não descartou pedir a prisão preventiva do suspeito de 18 anos. O laudo de corpo de delito, realizado no Instituto Médico Legal, deve ser concluído na semana que vem.
Proibição
Um dia após a publicação da portaria do juiz da Vara de Infância e Juventude, Ademir Richter, que proíbe a venda e uso das pulseiras do sexo por menores de 18 anos, alguns entraves começaram a surgir. Isso porque a fiscalização da venda, que ficaria sob responsabilidade da prefeitura, já encontra dificuldades.
Segundo diretor de Transporte e de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus, uma delas é que não há uma restrição total da venda. ''É como a venda de cigarros e bebidas para menores: é proibido, mas acontece. Diante disso, estamos orientando os comerciantes que não vendam as pulseiras a menores, sob pena de serem notificados e até perderem o alvará do estabelecimento em caso de flagrante'', explicou.
Escolas
O Núcleo Regional de Educação (NRE) enviou um documento a todas as instituições de ensino comunicando sobre a nova determinação. ''Em caso de resistência do aluno em retirar a pulseira, os pais serão chamados. Se houver agressão por parte do aluno, a Patrulha Escolar poderá ser acionada'', comentou a assistente no NRE, Marlene Melo. Conforme ela, o Núcleo ainda não foi informado de algum tipo de problema com alunos por conta da proibição.
O porta-voz da Patrulha Escolar de Londrina, soldado Pedro Paulo de Souza, disse não ser possível realizar operações para a retirada das pulseiras dos adolescentes. ''Isso seria abuso de poder.'' Entretanto, Souza diz que palestras com orientações já são realizadas. ''Abordamos vários temas como cidadania e sexualidade. O assunto das pulseiras, inclusive, também foi inserido'', relatou.
Ontem a Câmara de Vereadores aprovou em primeira votação projeto que proíbe o comércio das pulseiras em Londrina. A proposta precisa passar por nova votação, para depois seguir para o Executivo. O acessório tem várias cores, sendo que cada tonalidade corresponde a um 'castigo', que vai de abraço ao ato sexual.


