Adolescentes dizem que maus-tratos geraram motim
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quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Adolescentes do Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, que se rebelaram na semana passada, prestaram depoimento ontem à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual. Eles mantiveram a versão de que os maus-tratos foram a origem do motim, que resultou na morte de sete garotos. Os promotores ouviram 17 adolescentes, considerados ''cabeças'' da rebelião. Eles continuam na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP).
O coordenador das promotorias Criminais e de Execuções Penais do MP estadual, Dartagnan Abilhoa, informou que, hoje, outros adolescentes serão ouvidos. A intenção é avaliar as fichas médicas dos adolescentes para verificar se há indicadores de lesões que seriam compatíveis com as denúncias de maus-tratos. ''Vamos dar toda a chance de defesa aos educadores'', acrescentou, lembrando que funcionários também deverão prestar depoimento.
O presidente Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) órgão do governo do Estado responsável pelos educandários , José Wilson de Souza, informou que a situação já está normalizada no educandário. Ele afirmou que ainda não recebeu resposta do governo quanto à contratação de 44 novos funcionários.
Doze chefes de equipes foram retirados da instituição e mandados para o Centro Integrado de Apoio ao Dolescente Infrator (Ciadi) em Curitiba. Segundo Souza, isso aconteceu para não atrapalhar as investigações.


