Adolescentes assumem comportamento de risco
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domingo, 08 de outubro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A maioria dos jovens sabe que o uso de preservativo durante a relação sexual evita gravidez não planejada, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids. Mas porque entre o conhecimento e a prática existe uma grande distância?
A julgar por números e pesquisas, adolescentes não se dão conta da importância do uso de preservativo em qualquer tipo de relação sexual. Uma pesquisa americana, publicada na revista ''Journal of Adolescent Health'', mostra que eles têm relações sem proteção tanto com os parceiros fixos, quanto com os casuais. A pesquisa entrevistou 1.316 jovens sexualmente ativos com idade entre 15 e 21 anos.
Outra pesquisa, esta brasileira, mostra que 70% dos jovens usam preservativo na primeira relação sexual. Mas a taxa cai conforme o relacionamento vai ficando ''estável'' e se cria ''confiança'' entre os parceiros. A pesquisa, chamada Gravidez na adolescência: estudo multicêntrico sobre jovens, sexualidade e reprodução no Brasil (Gravad), entrevistou 4.634 jovens com idade entre 18 e 24 anos, do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador.
Parar de usar preservativo depois de algum tempo de namoro é o caso da jovem Viviane Gomes dos Santos, de 18 anos, que está grávida de oito meses. Ela conta que engravidou depois de dois meses de namoro, do primeiro namorado, um rapaz de 20 anos. As primeiras relações, segundo relata, aconteceram com preservativo, que depois eles simplesmente deixaram de usar. A gestação não foi planejada.
Os comportamentos característicos do adolescente são as causas do baixo uso de preservativo, segundo o hebiatra Walter Marcondes Filho, presidente da Confederação de Adolescência e Juventude da Íbero-América e Caribe (Codagic) e coordenador do Centro de Referência e Atenção ao Adolescente em Londrina (Craal).
O primeiro deles, explica Marcondes Filho, é o fato do adolescente achar que nunca vai acontecer algo de ruim para ele, seja um acidente, uma doença ou uma gravidez não planejada. ''O adolescente não acredita que o perigo pode atingi-lo. Quando ele tem uma relação sexual sem usar preservativo, ele pensa: 'Não vai dar nada, não'', afirma.
O adolescente, segundo o hebiatra, também é ''atemporal'' e três meses de namoro, por exemplo, é para ele uma ''eternidade''. Isso explica o uso do preservativo nas primeiras relações e o abandono deste com a continuidade do namoro. ''Depois de um tempo de namoro, o menino pergunta: 'ah, vamos parar? você não confia em mim?', e a menina acaba acreditando que ele nunca vai traí-la, se esquecendo da questão da gravidez'', diz. Ele lembra ainda que hoje a troca de parceiros entre os jovens é muito grande e o ato de ''ficar'' nem sempre é só beijar ou ter sensações eróticas, mas é também ter relações sexuais.
Falta de tempo e de local adequado são outros fatores que atrapalham o uso do preservativo, e podem levar a disfunções sexuais, como a ejaculação precoce. Entre os jovens a relação sexual acontece geralmente no carro, na casa de um amigo ou na dos pais. ''E assim ela é muito mais apressada, angustiante, e geralmente sem prazer para a menina'', afirma o médico.
Marcondes Filho aponta ainda que o uso do álcool tira as censuras e as inibições e facilita o jovem a ter relações sexuais mais precoces e sem preservativo.


