Rio de Janeiro - B.S.C.E., 16 anos, decepou com um golpe de facão a cabeça da avó materna, Tereza Lucas da Silva, 59, ontem de madrugada, em Volta Redonda (cidade a 130 km do Rio, no centro-sul do Estado).
Segundo o delegado Nilton de Almeida, o rapaz morava com os pais na Alemanha e estava no Brasil desde o ano passado, fazendo um tratamento para dependentes químicos, pois era usuário de cocaína.
O adolescente foi morar com a avó, que, preocupada com a agressividade do neto, pediu ajuda ao Conselho Tutelar da cidade. B. passou a frequentar um grupo de recuperação para dependentes químicos, mas faltava a muitas sessões, segundo a conselheira Irani Martins.
Após o crime, cerca de 70 moradores da vizinhança tentaram linchar o rapaz, mas foram impedidos pela polícia. B. era conhecido na região como um adolescente problemático e agressivo, disse o delegado.
Para ele, o crime está solucionado. Segundo Almeida, o filho da vítima, Eduardo Silva, disse ter visto o sobrinho sair de casa com a cabeça da avó em uma mão e o facão em outra. A cabeça teria sido jogada no rio Paraíba, que cruza o município.
Silva morava ao lado da mãe e disse que assistiu à cena porque tinha saído de casa para reclamar do som, que estava muito alto. Segundo ele, B. dançou e cantou antes de tomar banho, sem dar importância ao corpo que estava no chão da sala.
A polícia foi chamada e chegou à casa no início da manhã. B. ainda resistiu à prisão, tentando fugir, segundo o delegado.
O inspetor Sérgio da Costa disse acreditar que o jovem não estava drogado, e sim em crise de abstinência. ''Na Alemanha, o narcótico mais usado é a heroína. Acredito que a crise foi de heroína'', disse.
O delegado afirmou que só amanhã, com o resultado dos exames toxicológicos realizados, poderá saber se ele estava drogado: ''O que sei é que ele estava transtornado. Não falava nada.''
B. foi internado no pronto-socorro de Volta Redonda, onde permanecerá até amanhã. Ele está sob a guarda do Ministério Público, que decidirá sobre o destino do rapaz.
Até o final da tarde de ontem, a cabeça da avó não havia sido encontrada. O G-Mar (Grupamento de Salvamento Marítimo do Rio de Janeiro) não teve condições de prosseguir as buscas pois, por causa das chuvas, o rio estava muito cheio. A arma do crime também pode ter sido jogada no rio.
Almeida disse que a mãe do garoto foi avisada do crime e está vindo para o Brasil.
Este é o terceiro caso, em dois meses, de netos usuários de cocaína que assassinaram a avó. Em janeiro, no Rio, A.D.F., 16, matou a avó materna com 110 facadas após ela ter tentado impedi-lo de roubar dinheiro para comprar drogas.
No final de novembro, em São Paulo, Gustavo Napolitano, 22, matou a facadas a avó Vera Macedo, 73, e a empregada Cleide Silva, 20. Ele estava drogado.

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