Crimes sexuais denunciados pela mãe de uma adolescente em Apucarana (Norte do Estado) podem revelar uma situação ainda mais estarrecedora. Uma garota de 16 anos é suspeita de agenciar programas sexuais de colegas também adolescentes com adultos. Os encontros teriam ocorrido em festas realizadas em chácaras e motéis da cidade. A Polícia Civil também investiga a divulgação de fotos das menores nuas e em poses sexuais com adultos que foram veiculadas em sites de relacionamento. Uma das meninas contou à FOLHA o que teria se passado.
A denúncia partiu da mãe de uma garota de 14 anos que desconfiou do comportamento da filha. Depois de vasculhar a página da filha no Orkut, ela teria descoberto fotos da menina nua e acabou denunciado o caso ao Conselho Tutelar, que relatou os fatos à Polícia Civil e ao Ministério Público. No último sábado, conselheiras em operação conjunta com a Polícia Militar chegaram a três adolescentes e quatro adultos.
Uma amiga das adolescentes contou que as fotos teriam sido tiradas ''na inocência'', com rapazes que estariam saindo com as colegas. Sobre a situação envolvendo o agenciamento de menores para programas sexuais, ela disse que não podia falar nada porque ''tinha gente grande envolvida''.
O promotor da Vara da Infância e Juventude, Gustavo Fernandes Marinho, apontou que a investigação apura duas situações complementares. Primeiro, seria a divulgação no site de relacionamento Orkut de fotos nuas das adolescentes na companhia dos adultos. As imagens teriam sido postadas tanto no site das garotas quanto nas página dos homens. Algumas das fotografias teriam sido tiradas no Parque Ecológico das Raposas, uma área pública na periferia de Apucarana. O promotor adiantou que essa conduta configura crime previsto no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e as penas de prisão variam de dois a quatro anos.
Uma segunda situação que está sendo investigada é a exploração sexual de adolescentes, com penas de 4 a 10 anos de reclusão mais multa. Neste quesito, a maior implicada seria uma adolescente de 16 anos que teria feito o papel de agenciadora ao arregimentar colegas menores de idade para participar de programas sexuais em festas em chácaras e motéis da cidade. ''Seria ela quem intermediava estes encontros sexuais e convencia as amigas a participarem'', comentou o promotor, lembrando que a suspeita ainda está sendo investigada. A garota, que afirmou não ter emprego fixo, declarou ter renda mensal de R$ 1 mil.
O delegado-chefe da 17 Regional, Gabriel Botelho Junqueira Filho, instaurou inquérito ontem e adiantou que o caso é sigiloso. Ontem ele tomou o depoimento das conselheiras, de mães e de algumas meninas. Junqueira Filho afirmou ser prematuro fazer presunções. Mas comentou que, aparentemente, não havia um esquema organizado de prostituição de adolescentes que gerasse lucro para alguém. ''Tanto as meninas quanto os rapazes são pessoas simples'', disse.

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