Adolescente morre por meningite bacteriana em Francisco Beltrão
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quinta-feira, 07 de março de 2019
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local </br> 
Um adolescente de 16 anos morreu por meningite meningocócica na tarde de terça-feira (5), em Francisco Beltrão (Sudoeste). João Pedro Ferrari morava em Peróla d'Oeste e estudava em Capanema, na mesma região. O estudante foi internado com suspeita de dengue no Hospital Regional de Francisco Beltrão na sexta-feira (1º), mas a confirmação de meningite meningocócica veio depois. Ainda não se sabe qual o sorogrupo da doença.
As análises estão sendo feitas em Curitiba e levam cerca de 30 a 40 dias para serem concluídas, segundo o secretário municipal de Saúde de Capanema, Jonas Welter. O secretário garante que a profilaxia já foi feita para quem teve contato com o jovem. "Todos os alunos do colégio onde ele estudava, professores que tiveram contato e funcionários tomaram o antibiótico em 24 horas depois do diagnóstico do menino", disse. Welter descarta qualquer risco de surto.
Com duas mortes por meningite no Paraná nas últimas semanas - em Campo Mourão e Francisco Beltrão - o alerta cresceu no Estado com a procura por vacinas de meningite tipo B, disponíveis somente na rede privada. Mas a 8ª Regional de Saúde, com sede em Francisco Beltrão, descarta indícios de surto, e afirma que o caso de Ferrari foi isolado. Em Maringá (Noroeste), um colégio emitiu nota tranquilizando pais de estudantes. O colégio argumenta que uma aluna que está internada com meningite não tem diagnóstico da doença bacteriana e que o caso provavelmente é viral.
A meningite é uma doença comum, segundo Maria Isabel Cunha, diretora da 8ª Regional de Saúde. Ela lembra que em 2018 o Paraná teve 1.601 casos de todos os tipos da enfermidade. A vacinação para o sorogrupo C da doença é nova, instituída na rede pública em 2010. Como a gripe, todas as meningites são transmitidas por secreções. "A gente não tem abastecimento suficiente hoje para vacinar todos os adolescentes na idade de vacinação, mas temos as vacinas prioritariamente para crianças menores de um ano, porque quanto menor a idade maior a suscetibilidade, e a doença se manifesta de forma mais grave. Temos uma boa cobertura entre as crianças", disse.
Capanema, onde estudava o adolescente, não tem a vacina para o tipo C. Segundo o secretário municipal, a vacina deve chegar somente na sexta-feira (8). "O governo não está vencendo produzir essas doses, mas todas as crianças foram vacinadas", garantiu.
Já Cunha argumenta que a Regional está mantendo o diálogo com a Sesa (Secretaria Estadual da Saúde) para remanejamento de vacinas de outros locais para o município. "A vacina demora em torno de 30 dias para produzir imunidade. Mesmo em uma possibilidade de surto, ainda assim a vacina não iria contribuir nesse momento. A vacina é prevenção para outros casos."
A Sesa argumenta está recebendo doses em quantidades insuficientes da vacina de meningite B há mais de um ano. A demanda de meningocócica C é de 88 mil doses por mês e o Ministério da Saúde envia uma média de 66 mil. "A Sesa está pleiteando junto ao Ministério da Saúde o aumento no número de doses da vacina contra a meningite, que está em falta em alguns municípios do Paraná. Emergencialmente, a secretaria fez o remanejamento dos estoques entre as várias Regionais de Saúde para evitar o desabastecimento, na medida do possível".
Por outro lado, o MS (Ministério de Saúde) argumentou, por meio de nota, que em 2018 enviou 9,8 milhões de doses da vacina contra meningite meningocócica C para todo o País, sendo 563,5 mil para o Estado do Paraná. "Até fevereiro deste ano, 95,9 mil doses já foram entregues ao Estado e 1,8 milhão para todo o País."
Segundo o MS, a distribuição da meningocócica C ficou reduzida durante alguns meses, devido a atrasos na entrega pelo laboratório produtor, a Funed (Fundação Ezequiel Dias), em Belo Horizonte (MG). "Em uma tentativa de manter as entregas em dia, o Ministério da Saúde realizou uma consulta à Opas (Organização Pan-americana da Saúde) sobre a possibilidade de adquirir a vacina de um produtor internacional. Infelizmente não existe, no mundo, outro laboratório com capacidade de produção para atender a demanda do Brasil, de acordo com a Opas."
A pasta ainda esclarece que continuará atendendo a demanda dos Estados de acordo com o cumprimento do cronograma de entregas pelo laboratório produtor. "É importante informar que o Ministério da Saúde, por meio Cenadi (Central de Armazenagem e Distribuição de Insumos Estratégicos), envia mensalmente doses de vacinas aos Estados, que são responsáveis pela distribuição aos municípios, de acordo com as necessidades locais. Por fim, os municípios são responsáveis pelo abastecimento das salas de vacinação."
As doses da vacina de meningite C devem ser administradas aos 3 meses e aos 5 meses, com reforço aos 12 meses. Crianças que não receberam o reforço aos 12 meses podem aplicar até os 5 anos. Os adolescentes de 12 e 13 anos também deve ser vacinados, com dose única que serve também como reforço. Segundo o MS, em 2017, a cobertura vacinal foi de 86,58% (vacina meningocócica C conjugada). Em 2018, os dados preliminares apontam para uma cobertura de 79,04%.
Segundo o MS, a imunização contra meningite B não está no Calendário Nacional de Vacinação porque não é preconizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A rede pública oferece as vacinas para doenças com maior circulação e, consequentemente, maior risco. "O Ministério da Saúde oferece todas as vacinas recomendadas pela OMS no Calendário Nacional de Vacinação. No País, o sorogrupo C ainda é o principal agente causador da doença meningocócica."
As vacinas para meningites A, B, C, W e Y não estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A vacina conjunta para meningites ACWY custa por dose entre R$ 300 e R$ 500, já a dose contra meningite B vai de R$ 550 a R$ 600, a depender do laboratório.
O Ministério da Saúde ainda esclarece que a inclusão de nova vacina obedece às regras da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) no SUS, que garantem a proteção do cidadão, a segurança e a eficácia dessas vacinas.


