Adolescente morre após sofrer parada cardíaca em colégio
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segunda-feira, 09 de abril de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Um adolescente de 16 anos morreu nesta segunda-feira (9) no colégio onde estudava, na região central de Londrina, quando se preparava para entrar na quadra na aula de educação física. Ele iria assumir o gol na partida de futsal, mas antes que pudesse se posicionar, sofreu uma parada cardíaca. Professores e socorristas de serviços de emergência tentaram reanimá-lo, mas ele acabou morrendo no local. O adolescente estava no terceiro ano do curso técnico em administração no IEEL (Instituto de Educação Estadual de Londrina), praticava esportes com regularidade e, segundo a direção da instituição, nunca havia passado mal antes.
A diretora do IEEL, Rosicler Bueno, contou que o estudante havia ido até o vestiário para trocar de roupa e, na volta, parou ao lado da quadra para aguardar o momento de entrar na partida. "Nessa hora ele desmaiou. O professor foi socorrer e viu que ele estava quase sem pulso. Ele e outros dois professores de educação física que estavam nas quadras prestaram os primeiros socorros, fazendo massagem cardíaca, e acionamos o Siate e o Samu."
O socorro foi chamado às 9h53. Segundo a diretora, às 10 horas, a ambulância do Siate e uma ambulância da Unimed, acionada pelo Samu, chegaram ao colégio. "Eles foram muito rápidos e imediatamente começaram a tentar reanimar o estudante. Os médicos foram se revezando, fizeram todos os procedimentos que podiam, mas não houve jeito", lamentou Bueno. "Todo o sofrimento que nós poderíamos passar aqui hoje, nós passamos."
A irmã do adolescente, que também é aluna do IEEL, ficou o tempo todo ao lado do irmão. A mãe, que faz tratamento de saúde e estava no Hospital do Câncer, foi chamada e também chegou rapidamente ao colégio. De acordo com a diretora, a mãe pôde acompanhar todo o trabalho dos socorristas. "Ele praticava esportes com frequência, sempre jogava nos campeonatos interclasses. Nunca havia apresentado nenhum problema de saúde ou sofrido algum mal estar."
Bueno acompanhou a família até a Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) e ficou no local até o corpo do adolescente ser liberado. O Núcleo Regional de Educação também prestou solidariedade aos familiares do estudante. "Foi uma fatalidade", disse a diretora, que já começou a orientar os alunos para que comuniquem a escola ou a família e, se possível, procurem um médico e façam exames caso percebam qualquer sintoma.
O corpo do adolescente foi velado na capela 2 do Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte, e o enterro está marcado para às 9h15 desta terça-feira (10), no mesmo cemitério. As aulas no IEEL foram suspensas na manhã desta terça-feira.
'Doenças evoluem sem sintomas'
O cardiologista Icanor Antônio Ribeiro listou alguns dos problemas cardíacos que acometem jovens abaixo dos 35 anos de idade com maior frequência. Um deles é a cardiomiopatia hipertrófica, que é o espessamento do músculo que forma as paredes do coração, e pode ocasionar parada cardíaca durante a atividade física ou sem que haja nenhum esforço. Outras causas podem ser a origem anômala das artérias, quando as artérias nascem em um local diferente do habitual, e as arritmias cardíacas. Mas há ainda as alterações valvulares e os processos inflamatórios, que podem afetar o músculo cardíaco.
"O grande problema de tudo isso é que essas condições evoluem sem sintomas, não dão nenhum sinal e as pessoas não se preocupam, especialmente os jovens. O problema evolui de uma maneira silenciosa", explicou o cardiologista. Por isso, recomendou Ribeiro, é fundamental que toda pessoa que vá praticar algum tipo de esporte regular, como futebol, por exemplo, passe pela avaliação de um médico. "É importante avaliar a história clínica desse paciente, ver o que ele já apresentou de doenças durante a vida e ver o histórico familiar. Tudo isso associado a um exame físico e a um eletrocardiograma dão uma segurança extraordinária na prática de esporte. Se nesses exames forem constatadas qualquer alteração, o paciente vai ser encaminhado para fazer outros exames."
A avaliação inicial, explicou o cardiologista, é eficaz para fazer a triagem da maior parte das pessoas candidatas à prática do esporte e esses exames que precedem o início de qualquer atividade física são fundamentais. "Aos 12, 13, 15 ou 16 anos de idade não é uma fase que se faça prevenção. Não temos esse costume", disse Ribeiro. "Nesse caso (do estudante do IEEL), provavelmente o primeiro sintoma do problema cardíaco apareceu hoje e ele já teve morte súbita. Foi uma fatalidade."


