Adolescente morre após prática clandestina
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quinta-feira, 29 de setembro de 2005
Agência Estado 
São Vicente, SP - J. S. E., de 14 anos, morreu anteontem à noite após um aborto clandestino, em São Vicente, Baixada Santista. Ela passou mal durante o aborto, na casa de Aparecida Pereira, no Parque Bitaru, e o serviço de resgate foi chamado para removê-la para o Centro de Referência em Emergência e Internação (Crei).
Aparecida Pereira, de 63 anos, e Cristina Kellen Gonçalves, de 27 anos, foram indiciadas no 1º DP da cidade. Cristina levou a menor até a casa e teria pago R$ 200,00 pelo procedimento. Na casa de Aparecida a polícia encontrou lençóis sujos de sangue, medicamentos não comerciais, usados em clínicas cirúrgicas, além de instrumentos utilizados por ginecologistas.
A menor estava com parada cardiorrespiratória, apresentava sangramento e havia recebido medicação intravenosa quando chegou ao Crei. Aparecida negou que tivesse feito o aborto, mas foi presa em flagrante. Na delegacia confessou que recebera R$ 200,00 e receberia ainda um sofá. O pagamento foi feito por Cristina, que vai responder pelo crime de colaboração na prática do aborto.
Uma das filhas de Aparecida é enfermeira e revelou à polícia que foi chamada quando a garota passou mal. A versão está sendo investigada, até porque os lençóis tinham o emblema do Hospital São José.
A maioria das mulheres que tem complicações ou morrem no Brasil em consequência de abortos malfeitos é pobre, negra e de baixa escolaridade. Os dados divulgados no começo da semana são de uma pesquisa que vem sendo feita pela Organização Não-governamental Advocacia Cidadã pelos Direitos Humanos e foram apresentados em debate realizado no Rio de Janeiro em comemoração ao Dia Internacional pela Descriminalização do Aborto.


