Curitiba - Um processo de adoção diferente, de uma criança com idade avançada e por um casal homossexual. Este é o ponto de partida do livro "Jamily: a Holandesa Negra", que será lançado neste domingo, em Curitiba. A obra que conta a história de uma menina etíope que é adotada por um casal gay holandês é parecida com a própria experiência do autor, Alyson Miguel Harrad Reis, de apenas 13 anos de idade.
O livro fala da necessidade de ampliar as formas de adoção para além de bebês e crianças pequenas e brancas para proporcionar o convívio com uma família a crianças mais velhas e adolescentes de diferentes cores, raças e etnias. Alyson foi adotado pelo casal homoafetivo Toni Reis e David Harrad em 2011, depois de passar 10 anos vivendo em um abrigo na capital.
"O livro tem como intenção salientar que não existem apenas bebês brancos e de olhos azuis, ou até mesmo um ‘padrão’ de filho ideal. E o que realmente importa em uma adoção é a construção de uma família, dar um lar de verdade para alguém e sem se importar com sua idade ou etnia", destacou.
O adolescente lembra que no abrigo onde viveu, além dele, havia outras dez crianças com idade avançada, inclusive uma com 15 anos, ainda aguardando adoção. "É importante continuar tratando do assunto porque muitas crianças ainda vivem em abrigos, esperando serem adotados. E boa parte dos casais procura somente bebês da cor branca e do sexo feminino. Isso deveria ser diferente e o livro é uma forma de fazer as pessoas refletirem sobre o assunto", disse.
Alyson contou que sempre mostrou interesse pela leitura, mesmo gostando mais de matemática entre as disciplinas da escola. Ele informou que desde quando começou a ler livros e crônicas teve vontade de escrever. "A partir do momento que fui adotado pelos meus pais achei que deveria unir esses dois mundos, adoções e relações homoafetivas. Consegui colocar dois temas que sempre me interessaram e de defender aquilo que meus pais me ensinaram", reforçou o jovem.
David Harrad, um dos pais de Alyson, explicou que a princípio o menino queria escrever a própria história, de como foi adotado, mas aos poucos ele se convenceu de que seria melhor desenvolver uma ficção utilizando elementos marcantes que ocorreram em sua vida. "Ele é muito talentoso e estamos orgulhosos deste lançamento. Foi uma conquista e ele participou de todo o processo, inclusive fez os desenhos da capa do livro, que apenas foram revisados por alguns profissionais", explicou.
Alyson, que lê em média três livros por mês, já está escrevendo sua segunda obra, entretanto, não quis adiantar qual tema será abordado. "Ainda estou desenvolvendo a ideia", despistou.
Toni Reis explica que o processo de adoção de Alyson durou ao todo sete anos. O casal já adotou outras duas crianças (uma menina de 11 anos e seu irmão, de 8 anos) em abril deste ano. "É emocionante ver a evolução destas crianças. Infelizmente muitas delas, com idades avançadas, ainda permanecem em abrigos sem qualquer perspectiva, por isso é fundamental que esta discussão prossiga. É mais um motivo de orgulho para gente que nosso filho tenha escolhido este tema para lançar um livro", completou Reis.
O lançamento será neste domingo, às 10 horas, na Casa Hoffmann, no Largo da Ordem, bairro São Francisco, em Curitiba.

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