Adolescente grávida precisa de apoio
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Fabiana Caso<br> Agência Estado 
Quando a gravidez acontece na adolescência, não adianta culpar nem condenar os responsáveis: a falta de maturidade requer o apoio dos familiares, especialmente da mãe. O suporte e as orientações da avó são fundamentais para cumprir os desafios da maternidade precoce. Esse drama, vivido por milhares de famílias, é retratado, inclusive, na novela A Favorita, da TV Globo, pelas personagens Mariana (Clarice Falcão), a filha, e Catarina (Lilia Cabral), a mãe.
O consultor em educação sexual e autor do livro Adolescente: um Bate-Papo sobre Sexo (Editora Moderna), Marcos Ribeiro, reforça a necessidade de educar para as novas responsabilidades. Esse aprendizado é importante para que o jovem casal entenda que não está brincando de casinha. Mas isso não quer dizer que os pais devam assumir as responsabilidades dos adolescentes.
A mãe pode ensinar à sua filha como cuidar de si e do bebê, como um exercício. E, em seguida, pedir para a garota fazer a tarefa e deixar claro que a partir de cada lição ela será responsável pela execução, comenta Marcos. A mãe deve lembrar que está ensinando,
e que aquele compromisso
com o bebê é da filha e do
pai da criança.
Nada impede, porém, que a avó conviva bastante com a criança. Esse convívio pode trazer grandes benefícios tanto para a criança como para a avó. Mas tal situação deve ser bem administrada, com os limites necessários e respeitando o papel de cada um, o que pode ser resolvido por meio de conversa, aconselha. E mesmo sendo adolescentes, os avós devem respeitar os pais da criança. Não devem desautorizá-los
diante do netinho.
O psicólogo especializado em relacionamentos, Alexandre Bei, reforça que é importante não condenar nem menosprezar a jovem. Ela ainda não é adulta e precisa muito do apoio e do afeto dos pais, pondera. O melhor é a avó participar do processo,
sem julgar.
Já a psicóloga Magdalena Ramos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), tem um ponto de vista diferente. Com o pediatra Leonardo Posternak, escreveu o livro E Agora, o que Fazer? (Ágora), sobre a arte de criar filhos. Uma adolescente ainda não tem maturidade suficiente para criar um filho, não se amadurece por decreto, exclama. E se fosse fazer isso, teria que parar de estudar e trabalhar. Acho que a avó deve ajudar o máximo possível para que a filha possa continuar estudando. Após alguns anos, quando aprender a caminhar com as próprias pernas, talvez possa assumir a situação plenamente.


