Quando a gravidez acontece na adolescência, não adianta culpar nem condenar os responsáveis: a falta de maturidade requer o apoio dos familiares, especialmente da mãe. O suporte e as orientações da avó são fundamentais para cumprir os desafios da maternidade precoce. Esse drama, vivido por milhares de famílias, é retratado, inclusive, na novela ‘‘A Favorita’’, da TV Globo, pelas personagens Mariana (Clarice Falcão), a filha, e Catarina (Lilia Cabral), a mãe.
  O consultor em educação sexual e autor do livro ‘‘Adolescente: um Bate-Papo sobre Sexo’’ (Editora Moderna), Marcos Ribeiro, reforça a necessidade de ‘‘educar para as novas responsabilidades’’. ‘‘Esse aprendizado é importante para que o jovem casal entenda que não está brincando de casinha.’’ Mas isso não quer dizer que os pais devam assumir as responsabilidades dos adolescentes.
  ‘‘A mãe pode ensinar à sua filha como cuidar de si e do bebê, como um exercício. E, em seguida, pedir para a garota fazer a tarefa e deixar claro que a partir de cada lição ela será responsável pela execução’’, comenta Marcos. ‘‘A mãe deve lembrar que está ensinando,
e que aquele compromisso
com o bebê é da filha e do
pai da criança.’’
  Nada impede, porém, que a avó conviva bastante com a criança. ‘‘Esse convívio pode trazer grandes benefícios tanto para a criança como para a avó. Mas tal situação deve ser bem administrada, com os limites necessários e respeitando o papel de cada um, o que pode ser resolvido por meio de conversa’’, aconselha. ‘‘E mesmo sendo adolescentes, os avós devem respeitar os pais da criança. Não devem desautorizá-los
diante do netinho.’’
  O psicólogo especializado em relacionamentos, Alexandre Bei, reforça que é importante não condenar nem menosprezar a jovem. ‘‘Ela ainda não é adulta e precisa muito do apoio e do afeto dos pais’’, pondera. ‘‘O melhor é a avó participar do processo,
sem julgar.’’
  Já a psicóloga Magdalena Ramos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), tem um ponto de vista diferente. Com o pediatra Leonardo Posternak, escreveu o livro ‘‘E Agora, o que Fazer?’’ (Ágora), sobre a arte de criar filhos. ‘‘Uma adolescente ainda não tem maturidade suficiente para criar um filho, não se amadurece por decreto’’, exclama. ‘‘E se fosse fazer isso, teria que parar de estudar e trabalhar. Acho que a avó deve ajudar o máximo possível para que a filha possa continuar estudando. Após alguns anos, quando aprender a caminhar com as próprias pernas, talvez possa assumir a situação plenamente.’’

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