''Por favor, afaste o bebê de mim senão eu vou assá-lo no forno''. A autora de uma frase como essa provavelmente seria vista, pela maioria das pessoas, como uma criminosa perigosa. Mas para a psicóloga Simone Oliani, o apelo expressado por uma mãe adolescente à enfermeira de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Londrina é uma mostra comum da depressão pós-parto (DPP).
A psicóloga lembra que, assim como a Tensão Pré-Menstrual (TPM), o problema é restrito ao período ao qual se refere. Significa que uma mãe acometida de DPP pode ter instintos homicidas e suicidas no pós-parto - que pode durar até três meses - mas não apresentar nenhum risco depois de passado o transtorno. Por isso, uma mãe diagnosticada com DPP pode escapar da condenação judicial por abandono ou mesmo infanticídio.
Simone explica que a DPP é um estágio intermediário entre a chamada tristeza materna - que atinge a maioria das mães, sem maiores consequências - e a psicose puerperal, doença que chega a causar alucinações e delírios. A variedade de transtornos no pós-parto demonstra o quanto a maternidade pode ser problemática, ao contrário do ideal no qual a sociedade quer acreditar.
''É um período no qual ocorre uma tempestade de hormônios, mudanças no corpo e adaptações na vida da mãe ao bebê que chegou'', justifica a psicóloga. (V.N.)

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