Londrina - A família da garota de 16 anos estuprada na manhã de ontem num terreno baldio ao lado da Avenida Dez de Dezembro vai pedir a transferência dela do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) e mudar de bairro nos próximos dias, informou ontem o irmão da vítima. ''Foi um fato que abalou toda a família. Estamos muito revoltados com esta barbaridade toda'', afirmou. ''Minha irmã não tem condição mais de viver aqui e nem de frequentar a mesma escola. Ela está traumatizada e chora sem parar'', afirmou.
A adolescente já ingressou no programa Rosa Viva, que presta assistência psicológica a vítimas de abuso sexual. Ontem ela foi medicada. Tomou vacinas, a pílula do dia seguinte e uma carga de antivirais para evitar doenças sexualmente transmissíveis.
O crime sexual aconteceu ontem por volta das 7 horas, a cerca de 500 metros da casa da adolescente, que mora na Vila Brasil e que todos os dias fazia o percurso até a escola a pé. Segundo o depoimento da vítima e de uma testemunha à titular da Delegacia da Mulher, Elaine Aparecida Ribeiro, Dorival Pedro, de 54 anos, abordou a adolescente a menos de 100 metros da casa dela.
A vítima disse à delegada que o agressor ameaçou mata-lá caso ela não o ajudasse a esconder uma arma que ele guardava na mochila. ''Cada vítima tem uma reação, neste caso a garota se resignou. Ela disse que estava com muito medo'', afirmou a delegada.
Dorival, que na verdade não portava nem arma de fogo nem faca, conduziu a vítima por 500 metros, até um terreno baldio próximo ao viaduto da Rua Bolívia sobre a Avenida Dez de Dezembro. Lá ele consumou o estupro, comprovado pelo exame de conjunção carnal. A vítima não sofreu outras agressões.
O suspeito foi preso pela Polícia Militar na Dez de Dezembro, em flagrante, logo após o crime. Ele está detido em uma cela do 5º Distrito Policial.
A prisão só foi possível graças ao discernimento de um colega de turma da vítima. De acordo com o depoimento dado à polícia, o adolescente contou que estava indo para o IEEL, como faz todos os dias, quando percebeu algo estranho. A colega, ao invés de seguir no sentido da escola, que fica a algumas quadras da casa dela, andava em direção oposta e acompanhada por um homem desconhecido. ''Ele disse que percebeu o desespero da colega pelo olhar e ficou acompanhando à distância a direção que estavam tomando. Logo depois, ainda mais desconfiado, ele acionou o 190 e descreveu as vestes do suspeito''.
O adolescente também avisou a família da vítima, cuja mãe e o padrasto são taxistas. Eles acionaram por rádio os outros choferes. Um deles passava na Dez de Dezembro e ajudou a polícia a localizar e capturar Dorival.
O suspeito estava preso em Cornélio Procópio, também acusado de estupro, até o dia 20 de julho, quando uma ordem judicial determinou sua libertação. Se for condenado, Dorival vai cumprir pena de 6 a 10 anos de detenção.
A delegada da Mulher disse que os casos de estupro em áreas públicas não é um fato tão comum. Em 2012, o caso da Vila Brasil é o segundo. ''A grande maioria dos estupros são contra vulneráveis e praticados em casa'', disse. No primeiro semestre, a Polícia Civil de Londrina instaurou 74 inquéritos para apurar casos de estupro. O número é crescente. Nos 12 meses do ano passado, foram 113, e nos dois semestres de 2010, 103.

mockup