Salto de Pirapora - O adolescente C.C.P., de 15 anos, teve o pescoço perfurado e o sangue sugado por outro menor durante um suposto ritual satânico na Cadeia Pública de Salto de Pirapora, na região de Sorocaba. Ele e outro adolescente com a mesma idade, M.S.S.A , sofreram também abuso sexual e foram torturados com estiletes feitos com o cabo de escovas de dente. Os atos foram praticados por quatro adolescentes infratores que se achavam sob custódia da Justiça.
O ritual ocorreu durante o fim de semana, mas só chegou ao conhecimento da polícia na segunda-feira, quando o delegado titular da unidade, Alexandre Banietti, retornou das férias. O caso vem sendo tratado em sigilo por envolver menores sob custódia. Os quatro autores dos crimes alegaram terem agido sob a influência de espíritos que receberam durante o ritual. As duas vítimas foram atiradas contra a grade da cela e agredidas com mordidas. C. teve lascas de madeira introduzidas no pescoço. O sangue que escorreu foi sugado pelo menor A .
O adolescente teve, ainda, a figura de um pênis tatuada em suas nádegas. Além de A ., participaram das torturas M.R.S., E. O . L. e D. A. R., todos com idade entre 15 e 17 anos. Um deles está detido por homicídio e os outros, pela prática de roubos.
As duas vítimas foram medicadas e transferidas para a unidade da Fundação Estadual para o Bem-Estar do menor (Febem) em Sorocaba. A cadeia de Salto de Pirapora tem apenas duas celas e foi transformada em unidade de acolhimento inicial de adolescentes infratores. Eles são encaminhados para a Febem somente depois de terem seus casos avaliados pela Justiça. No fim de semana, a cadeia abrigava 13 menores sob custódia. Um policial a cada turno é incumbido da vigilância.
O Ministério Público de Sorocaba vai apurar a responsabilidade pela guarda dos menores e porque as agressões e torturas não foram evitadas. A Delegacia Seccional de Sorocaba também vai investigar o caso. O delegado seccional, Maurício Blazeck, disse que a cadeia é inadequada para abrigar menores, que deveriam ir para a Febem. A assessoria de imprensa da instituição informou que não é da responsabilidade da Febem a custódia provisória de adolescentes infratores, mas apenas daqueles encaminhados pela Justiça.

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