Adolescente é morto por policial em frente a escola na zona sul
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sexta-feira, 16 de junho de 2017
Celso Felizardo e Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Um adolescente de 17 anos morreu no início da noite de quinta-feira (15) após ser baleado pelo policial militar Bruno Zangirolami, no Conjunto Cafezal (zona sul de Londrina). O rapaz estava com outros dois amigos em frente ao Colégio Estadual Maria José Balzanelo Aguilera quando o caseiro do colégio, um policial lotado na 4ª Companhia Independente, saiu com uma arma e disparou contra o garoto. O policial alegou que o tiro foi acidental.
Segundo a versão da Polícia Militar, o policial disse que estava passeando com o cachorro quando notou três jovens consumindo maconha em frente à escola. O PM teria, então, sido xingado pelos garotos. Na sequência, ele teria feito a abordagem e sacado a arma. De acordo com o oficial supervisor da 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, tenente Acquarole, o PM estava de folga no momento em que abordou os adolescentes. "Não temos ainda informações sobre o que houve no local, se foi um disparo acidental ou não", afirmou.
Equipes da Polícia Militar foram acionadas e o PM foi conduzido até a delegacia. Conforme o oficial, dois procedimentos serão abertos para apurar os fatos: um inquérito será conduzido pela Polícia Civil e uma sindicância será aberta pela Polícia Militar. A arma foi encaminhada para perícia.
Depois do disparo, os jovens teriam saído correndo, mas o adolescente caiu poucos metros adiante. "O PM tentou socorrê-lo, mas foi em vão", disse o tenente Bruno Franceschet, oficial de comunicação da 4ª Companhia. A pistola do policial foi apreendida e deverá passar por perícia no Instituto de Criminalística (IC). De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), o disparo atingiu o tórax do adolescente, segundo informações do Instituto Médico Legal.
Durante toda a sexta, viaturas e motocicletas da Polícia Militar fizeram rondas em frente ao colégio. Uma moradora que preferiu não se identificar contou que ouviu o barulho e, quando saiu de casa, viu o menino caído e o policial ao lado. "Ele ainda ficou ao lado do menino, mas, em seguida, outros policiais chegaram e tiraram ele de lá", relatou.
Já a mãe do garoto disse que conversou com um dos meninos que estavam com o filho. Segundo o rapaz, não houve sequer discussão. "O policial saiu gritando que eles nunca mais iriam fumar em frente à escola e, em seguida, já fez o disparo", disse. Após a constatação da morte, populares revoltados se aglomeraram e tiveram de ser contidos pelo reforço acionado pela PM.
Revoltada, a mãe do adolescente, Cristiane Sartori, cobra justiça para o caso. "Como o Estado e a Polícia Militar mantêm um policial armado e sem o mínimo de preparo dentro de uma escola? Foi uma atitude desproporcional. Meu filho não era bandido", desabafou. "Sei que nada vai trazer meu filho de volta, mas ele [policial] tem que pagar pelo crime que cometeu", completou. Segundo ela, o filho não tinha passagens pela polícia e cursava a Educação para Jovens e Adultos (EJA) no centro de Londrina.
De acordo com o advogado Marco Aurélio da Assunção, que representa o autor do disparo, o policial foi liberado no final da tarde desta sexta (16) após a apreciação de um pedido de liberdade provisória pela Justiça. "Ele ainda está se recuperando da situação. Os fatos serão melhor apurados. Ele está muito abalado", afirmou. Uma audiência de custódia será realizada na segunda (19).
Segundo Assunção, o policial Bruno Zangirolami morava há pouco mais de três meses nas dependências da escola. "Em momento algum ele fugiu. Ele prestou socorro à vítima, chamou o Siate, tentou reanimação e depois procurou a delegacia espontaneamente", defendeu o advogado.
O corpo do adolescente foi liberado pelo IML no final da manhã de sexta e, às 16 horas, foi velado na Capela Mortuária de Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Durante a noite, o corpo seguiria para Maringá, onde seria velado e sepultado às 12 horas deste sábado (17). Em Cambé, o velório reuniu familiares e amigos do adolescente. A comoção também foi externada pelas redes sociais. Várias pessoas manisfestaram sentimentos à família e indignação pelo ocorrido. "Que mundo é esse sem amor nenhum ao próximo? Inconformada com o 'motivo' alegado e triste com a notícia", postou uma amiga da família.
No início da tarde, a chefe do Núcleo Regional de Educação em Londrina, Lúcia Cortez, afirmou que ainda não tinha conhecimento sobre os detalhes da ocorrência. Segundo ela, "mais de 90% dos caseiros das escolas estaduais do Núcleo de Londrina são policiais". "Pela experiência que a gente tem, são policiais preparados e que participam das ações na comunidade", comentou. Colaborou Rafael Machado - Grupo Folha


