Adolescente é mais vulnerável
O psicanalista Ailton Bastos, de Londrina, acredita que no caso da lan house, o adolescente é mais vulnerável ao vício. Já com a internet, o perfil muda. Ele lembra que o jovem, diferentemente de uma criança, já tem certa autonomia de ir e vir e passar horas em algum lugar longe da supervisão dos pais, além do acesso ao dinheiro. ''Os pais até se sentem tranquilos, porque o filho está na lan house'', ressalta. Já entre os adultos, a vulnerabilidade ao vício é mais restrito, até pelos ''compromissos ocupacionais que tem''.
Mas esse padrão muda quando o assunto é internet.''Mesmo pessoas de faixa etária depois da adolescência vão estar vulneráveis e suscetíveis a esse vício'', avalia o psicanalista. O grande ''alvo'', neste caso, são as mulheres que buscam na rede relacionamentos pessoas com quem conversar. ''Se tenho alguma coisa aqui fora que não consigo enfrentar e estou fugindo dessa realidade para o mundo virtual, está na hora de parar e buscar uma terapia, para enfrentar essa realidade''.
Bastos ressalta que o vício pode estar associado a outros problemas preexistentes. ''Se ele tem, ou está desenvolvendo, vício em pornografia, a internet vai estar associada como coadjuvante. Se é uma pessoa com tendência maior para o isolamento, e busca na internet o anonimato e ser aquilo que não é, pode se viciar'', ressalta.
Há ainda o prejuízo emocional: ''O eu real tem que ser desenvolvido para que chegue o mais próximo do ideal, e isso a gente faz aqui fora. Mas, se estou vivendo no mundo virtual, a tendência é ir me distanciando daquilo que me mostro, e menos chance tenho de exercitar aquilo que realmente sou. É um prejuízo significativo, para qualquer idade.''
O psicanalista ressalta que a internet não é nenhuma ''vilã'', mas apenas uma ferramenta, ''que tem uma maneira de ser usada que pode machucar''.(C.P.)





