São Paulo, 27 (AE) - Quatro casos ocorridos em apenas dois dias revelam histórias em que jovens foram protagonistas da violência: carregando armas ou envolvidos em crime por motivo fútil, em São Paulo. Três deles foram em escolas. A.L.G.S., de 17 anos, matou o irmão de 19. Uma menina de 14 anos foi assassinada na porta da escola e R.A.L.J., de 17 anos, feriu a própria perna. Na Escola Estadual de 1.º Grau José Joaquim Cardoso de Melo Neto, em Capão Redondo, zona sul, não houve feridos. Antes disso, professoras surpreenderam E.M.G., de 8 anos, com um revólver calibre 38, carregado com seis balas, na mochila escolar. A arma, sem registro, pertence ao padrasto de E., que trabalha como segurança. O garoto queria mostrar a arma aos colegas.
Morte - A estudante Jandira Martins Calixto, de 14 anos, estava no lugar errado, na hora errada, pouco antes de morrer. Diante de uma discussão de colegas de escola que não lhe dizia respeito, tentou esconder-se atrás de um rapaz ao perceber que um outro ia começar a disparar. O tiro que apenas feriu o jovem que lhe serviu de escudo acabou matando Jandira.
A discussão ocorreu por volta de 20 horas de ontem (26), bem próximo da escola onde estudava Jandira, em Jundiapeba, na periferia de Mogi das Cruzes. Depois de um desentendimento que havia começado no período da manhã, uma jovem teria pedido a um irmão - que é maior de idade e de acordo com a polícia participou de roubo a banco e é acusado de homicídio - que fosse com ela acertar contas. O rapaz, tido na família como "problemático", desferiu diversas coronhadas em uma outra jovem, de 16 anos. Então, disparou a arma automática na direção do grupo que observava a discussão. E matou Jandira. Os irmão estão foragidos.
Na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Nova Jundiapeba, onde ela cursava a 5.ª série, fala-se de uma boa aluna, que se envolveu em uma discussão na frente do colégio há cerca de um mês e mudou seu comportamento depois de ter sido repreendida pelo diretor e pela mãe. "Ela havia melhorado 100%", elogia o diretor da escola, José Elias Alves de Barros.
"Na dela" - A jovem parecia ter um comportamento discreto. Era tida, por colegas e vizinhos, como "simpática", "legal", "na dela". De acordo com um tio, Mauro Joaquim dos Santos, ajudava a mãe nos serviços de casa, torcia para o São Paulo, adorava dançar e ser fotografada. Os pais, catadores de papel e frequentadores de uma igreja pentecostal, determinavam que a menina chegasse em casa, no máximo, às 22h30.
Para Santos, falta segurança na porta das escolas. "Queremos providências." De acordo com o delegado titular do setor de homicídios da cidade, Francisco Del Poente, o bairro tinha um índice considerável de homicídios. "Mas neste ano, a situação já melhorou." E ainda assim, Jandira não conseguiu defender-se.

mockup