Rio - Depois de consumir grande quantidade de cocaína, A.F.C.M., de 16 anos, matou a avó a facadas, na madrugada de ontem, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Ele havia espancado a mãe e roubado eletrodomésticos da casa da avó antes do crime, para obter dinheiro para comprar a droga.
Parentes contaram que temiam pela família, pois o rapaz era agressivo e roubava a família. A. foi detido. Em depoimento na delegacia da Ilha, ele confessou o assassinato. A. contou que começou a consumir cocaína por volta das 19 horas do dia 1º. Comprou alguns papelotes no morro João Teles, perto de onde mora, uma área de classe média da Ilha do Governador.
Depois, foi à casa da avó e roubou a máquina de waffle dela. Vendeu o aparelho na favela e comprou mais droga. Em seguida, levou o liquidificador e também trocou por cocaína. Ele disse que cheirou o conteúdo de oito papelotes de R$ 5 e um de R$ 10, o que equivale a cerca de dez gramas - quantidade muito grande. Também agrediu a mãe, a professora Elizabeth Filgueiras, de 45 anos, que mora ao lado, e a deixou trancada dentro de casa.
Violência - Por volta das 2 horas, a aposentada Iara Filgueiras, de 76 anos, foi acordada com o neto tentando arrombar seu armário, onde guardava dinheiro. Com um faca ele golpeou a avó 20 vezes, muitas delas no rosto.
A. disse à delegada Viviane Batista de Carvalho que não houve luta corporal, mas a perícia constatou que havia sinais de que A. bateu na avó antes de matá-la. Depois roubou R$ 20,00 de uma gaveta.
Depois do crime, o jovem tomou banho, lavou a faca e entregou o dinheiro à mãe, que havia ouvido os gritos de Iara. Elizabeth pediu ajuda a vizinhos, que a levaram para o hospital Paulino Werneck. A. saiu de casa, encontrou um amigo na rua e disse: ''Infelizmente, matei minha avó.''
Ele não reagiu à detenção e foi levado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, depois de depor na delegacia. De acordo com a delegada, A. foi frio e descreveu o assassinato com detalhes.
Elizabeth contou na delegacia que A. já foi internado para tratamento da dependência química, mas fugiu da clínica - ele ingere drogas há quatro anos e parou de estudar por causa do vício. Ontem alegou que matou a avó porque, da última vez em que ele lhe tirara dinheiro, ela disse que o denunciaria à polícia.
Parentes contaram que Iara chegou a levá-lo à delegacia para entregá-lo, mas desistiu. Quando não estava sob efeito das drogas, A. foi descrito por parentes e vizinhos como uma pessoa ''dócil''. Revoltado, o representante comercial Ricardo Filgueiras, de 47 anos, filho de Iara, culpou a irmã pelo que aconteceu. ''Esse garoto era largado. A falta de amor o levou para o precipício e a cocaína o fez cair. Drogado, vira um verdadeiro demônio.''
Maria Thereza Aquino, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), informou que a quantidade de cocaína ingerida por A. seria suficiente para matá-lo por overdose.

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