Segundo a psiquiatra e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Sandra Vargas Nunes, ninguém está livre de agentes estressores, seja no trabalho, em casa, ou na escola. A diferença entre adoecer ou não está na maneira como administramos esse estresse e na predisposição genética para a depressão.
  Morte ou problemas de saúde na família, divórcio, condições de trabalho insatisfatórias, ameaça de perder o emprego, dívidas e dezenas de outras situações são exemplos de eventos negativos de vida que geram estresse. ‘‘Fatores que todos estarão sujeitos em maior ou menor grau em alguma época da vida’’, ressalta.
  O que vai fazer a diferença são as estratégias de enfrentamento da situação - confrontar, se afastar, fugir, tentar resolver, conversar, ficar na posição de vítima ou achar outras soluções, são algumas delas. ‘‘Para os chineses, por exemplo, a crise é encarada como uma oportunidade’’, aponta Sandra.
  Por outro lado, o cérebro pode perceber o estresse como algo ameaçador, sem controle ou solução, que deixa o indivíduo totalmente desamparado. Essa percepção é um gatilho para que o cérebro superestimule o eixo formado por hipotálamo, hipófise e adrenal e é aí que começa a doença.
  As taxas de cortisol e adrenalina aumentam e a de dopamina, um dos hormônios do prazer, diminui. Isso altera o apetite, faz com que o sono não seja profundo, baixa a imunidade e diminui a quantidade de serotonina no cérebro, causando tristeza e desânimo. Altas taxas de adrenalina alteram o funcionamento da insulina e aumentam a freqüência cardíaca, o que pode alterar a pressão arterial. ‘‘Numa emergência, nosso cérebro tem que ficar vigilante, diminuindo as funções vitais’’, explica.
  Além disso, no cérebro há muito mais conexões entre o sistema límbico, das emoções, com o córtex pré-frontal, das decisões e controle das emoções, que o contrário. ‘‘Por isso, os medos são tão difíceis de serem controlados’’, afirma.
  Quando a situação deixa de ser percebida como fora de controle, o eixo volta ao normal, mas para isso é necessário a utilização de medicamentos. ‘‘Eles são necessários porque houve alteração em neurotransmissores, neurônios’’, explica. O importante, segundo a médica, é que as pessoas saibam que os fatores estressores realmente podem adoecer, e que quanto mais cedo se procurar ajuda, melhor. ‘‘O melhor é não deixar que a doença se torne crônica, quando a reabilitação fica mais difícil’’.(C.P.)

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