Curitiba - A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) fechou ontem a segunda parceria do programa de Adoção de Florestas com Araucária. O diretor do Detran-PR, Marcelo Almeida, que preside a ONG Ecologia Urbana, adotou uma área de 76,23 hectares de floresta de araucária por cinco anos. Ele assinou um contrato com o proprietário rural do município de Fernandes Pinheiro (145 km ao norte de União da Vitória), Sérgio Czesluniak. O valor do contrato é de R$ 150 mil pelos cinco anos e, segundo a SPVS, a maior parte do dinheiro será investida na proteção da área e uma pequena parte será repassada ao proprietário ''como forma de reconhecimento.''
''Os produtores são muito pressionados para desmatar as áreas de araucárias. Tanto para plantar como pelos madeireiros. E essa é uma forma de ajudá-los a não ceder a essa pressão'', explicou Almeida. A primeira floresta a entrar no programa fica em Lapa, com 130 hectares, e sua preservação está sendo bancada pelo grupo Positivo. ''O Marcelo é a primeira pessoa física a entrar no programa e sabemos que esse tipo de contrato é mais difícil. Queremos sensibilizar os empresários e os donos de áreas'', disse o diretor da SPVS, Clóvis Borges. Segundo a SPVS, o Paraná tem 0,4% de remanescentes de araucárias. O número oficial é de 0,8% (66 mil hectares).
O dinheiro doado por Almeida será usado para contratar uma pessoa para proteger a área contra invasões e desmatamentos, financiar assistência técnica para a preservação e construção de uma cerca. Ao assinar o contrato, Almeida lançou também a campanha Preservaraucária, que terá venda de camisetas. A renda será investida na adoção de novas áreas com araucárias.
O Ministério do Meio Ambiente propôs a criação de unidades de conservação de matas araucárias no Paraná e em Santa Catarina. Cinco delas são no Estado e uma, que se tornaria Parque Nacional dos Campos Gerais, gerou manifestações contrárias de produtores rurais. Outra questão polêmica são as reservas legais. Liminar concedida à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), derruba o Decreto Estadual do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que estabelece a obrigatoriedade de definição de reservas legais ou áreas permanentes de preservação ambiental para qualquer tipo de atividade industrial. O IAP informou que vai recorrer da decisão.

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