Adoçantes: melhor usar com moderação
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domingo, 13 de julho de 2008
Vera FioriAgência Estado 
Composta por enxofre e nitrogênio, a sacarina é um dos mais antigos e populares adoçantes do mercado, tendo sido descoberta em 1879. De lá para cá triplicaram as opções de produtos para quem é diabético ou simplesmente deseja manter a forma. Vez ou outra surgem pesquisas que associam o consumo de tais produtos a doenças como câncer ou até mesmo ganho de peso, gerando dúvidas no consumidor. De acordo com os médicos, sem evidências científicas que provem o contrário, os adoçantes são seguros desde que observadas as indicações de uso e quantidades máximas de ingestão recomendadas.
Para entender melhor, o adoçante dietético é produzido a partir dos edulcorantes, componentes naturais (frutose, sorbitol, monitol e esteovídeo) ou artificiais (aspartame, ciclamato, sacarina, acessulfame-k sucralose), responsáveis pelo sabor doce. Em geral, os edulcorantes possuem um poder de adoçar muito maior do que o açúcar da cana.
Segundo uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), três novas substâncias devem chegar à mesa do consumidor brasileiro. São elas a taumatina (edulcorante natural, obtido de uma fruta originária do oeste africano, 2500 vezes mais doce do que o açúcar), o eritrol (como o sorbitol, é considerado um edulcorante alcoólico) e o neotame (obtido através da modificação da molécula do aspartame, mas, ao contrário deste, ele não é contra-indicado para fenilcetonúricos, e é 8000 vezes mais doce do que o açúcar, sendo o preferido pela indústria de refrigerantes).
Com a medida anunciada em março, o órgão visa à redução da quantidade máxima dos adoçantes sacarina e ciclamato em bebidas e alimentos, por conterem sódio, grande vilão da hipertensão. As empresas têm três anos para adequarem seus produtos ao novo regulamento. Para a nutricionista Adriana Alvarenga, gerente de informação científica da empresa Gold Nutrition, a medida faz com que a indústria alimentícia reveja as composições dos seus produtos e as diversifique.
Açúcar ou adoçante, eis a questão. Adriana faz um alerta sobre o consumo exagerado do açúcar, muito além dos 10% da ingestão diária de calorias recomendada pela Organização Mundial de Saúde.
- ''Hoje vemos crianças com diabetes tipo 2, doença que era só de adultos. O açúcar não seria necessário por uma questão nutricional, afinal, outros tipos de carboidratos mais saudáveis do que ele fornecem a mesma energia e de forma mais adequada ao organismo, agregando outros nutrientes importantes. É o caso das frutas, ricas em vitaminas e minerais, e dos pães e massas integrais, que são ricos em fibras.''
Na opinião da nutricionista Marlene Merino, coordenadora do departamento de nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, em pequenas quantidades, o açúcar (sacarose) não é vilão, e pode ser incluído em uma alimentação balanceada e saudável.
- ''A sacarose é um nutriente essencial para o funcionamento pleno do cérebro. Muitas vezes, a causa do excesso de peso não está no uso do açúcar, mas sim na sua associação com outros alimentos ricos em gorduras, como doces e sorvetes. O adoçante tem indicação específica e só deve ser utilizado se houver recomendação do médico ou nutricionista.''


