Washington, 11 (AE) - A Fidelity Investment, uma das maiores e mais conceituadas administradoras de investimentos dos Estados Unidos, confirmou hoje que uma empresa que controla no Brasil, a Metrored, está sob investigação pela Justiça americana por suspeita de violação do Foreign Corrupt Practices Act, uma lei que proíbe empresas americanas de subornar autoridades de outros países para garantir contratos. Mas esclareceu que ela própria não é alvo da investigação. Especializada na construção de redes de cabos de fibra ótica, a Metrored Brasil é subsidiária da Metrored Telecom Group, da qual a Fidelity é fundadora e acionista principal, por meio de uma de suas subsidiárias, a Fidelity Ventures.
Segundo Anne Crowley, a porta-voz da Fidelity, foi sua empresa que deu início ao caso ao avisar as autoridades federais americanas, há mais de um ano, sobre irregularidades cometidas na administração da Metrored Brasil e que poderiam constituir uma violação da lei americana. "No início de 1999, a nossa assessoria jurídica na América do Sul alertou-nos para irregularidades na condução dos negócios da Metrored Brasil que, potencialmente, podem ter violado o Foreign Corrupt Practices Act", afirmou Crowley. "Não toleramos esse tipo de prática e, tão logo fomos alertados, levamos todas as informações ao conhecimento do Departamento de Justiça para que elas pudessem ser investigadas da maneira apropriada", disse a porta-voz.
Segundo comunicado divulgado hoje em São Paulo pela Metrored Brasil, a investigação envolve "certos pagamentos... efetuados por antigos administradores da Metrored Brasil ... a pessoas nos Estados Unidos, podendo os beneficiários finais terem sido pessoas residentes no Brasil". De acordo com o comunicado, "a Metrored não aprovou ou participou destes eventos e sua diretoria acredita que tomou tempestivamente todas as medidas necessárias".
Em Boston, Crowley frisou que "qualquer insinuação de que a Fidelity Investments esteve envolvida em qualquer irregularidade está errada".
"Fomos nós que iniciamos a investigação, cooperamos plenamente com o departamento de Justiça e estamos do lado dos anjos nessa história", disse. Como prova disso, Fidelity exibe a notícia pública que deu sobre o caso em nota que divulgou em junho do ano passado, em cumprimento de suas obrigações legais para lançar uma oferta de US$ 750 milhões de dívida no mercado americano.
A nota, que foi citada em reportagens publicadas no dia 16 de junho pelo Wall Street Journal, e no dia seguinte pelo Boston Globe, informa que a Fidelity "levou à atenção do departamento de Justiça informação sobre atividades que podem ter envolvido violações do Foreign Corrupt Practices Act". Essas atividades "ocorreram em conexão com certas operações externas conduzidas por uma empresa de capital privado da qual a Fidelity tem o controle...", mas "não estão relacionadas com os negócios de corretora ou dos fundos mútuos da companhia".
Segundo Crowley, os problemas que deram origem à denúncia das irregularidades na Metrored já foram corrigidos e a empresa opera hoje em conformidade com as legislações do Brasil e dos EUA. "As irregularidade que possam ter sido cometidas pela Metrored resultaram da ação de indivíduos no Brasil, que não trabalham mais para a Metrored". Como se trata de uma investigação em curso, tanto a Fidelity como a Metrored Brasil alegaram que não podem fazer comentários sobre a natureza da irregularidade descoberta. O comunicado da Metrored, no entanto, aponta claramente para uma operação de lavagem de dinheiro de suborno pago nos EUA a ocupantes de cargos públicos no Brasil e com poder de decidir sobre contratos de interesse da empresa, entre 1998 e os primeiros meses de 1999. Até agora, ninguém foi indiciado.
Uma investigação anterior da Justiça federal americana, sobre lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, levou à prisão, no último dia 31, em Miami, dos brasileiros Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz, donos de empresas de consultoria financeira na Flórida que prestariam serviços a políticos paulistas e a seus parentes.
Fontes com conhecimento do caso indicaram que a empresa americana que está sob investigação pelo departamento de Justiça nos EUA não é a Fidelity. O departamento de Justiça não se manifestou hoje. Fontes oficiais brasileiras e americanas informaram hoje que não têm conhecimento de comunicações entre os governos dos dois países sobre a investigação do departamento de Justiça.

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