São Paulo, 19 (AE) - Um dos dois administradores do Cemitério Campo Grande, Edson Aparecido da Silva, foi demitido hoje do cargo por não comparecer ao serviço. A sindicância feita pelo Serviço Funerário Municipal constatou que não só Silva não ia ao trabalho como alguém assinava o ponto por ele. Conforme funcionários do cemitério e uma lista apreendida por promotores na própria autarquia, o administrador seria uma indicação do vereador Milton Leite (PMDB), relator da extinta CPI dos Fiscais.
A sindicância do Serviço Funerário foi iniciada há dois meses. Um fiscal da autarquia checou durante vários dias, no próprio São Pedro, denúncia anônima sobre a condição de "fantasma" do administrador do cemitério. Apesar de Silva não aparecer no local, o livro de ponto registrava assinaturas em seu nome. Procurado pela reportagem no cemitério, Silva não retornou os pedidos de entrevista. Disse aos funcionários que estava "em reunião".
Os funcionários do São Pedro confirmam que o administrador não comparecia ao trabalho e que ele é ligado ao vereador Leite, em cuja campanha teria trabalhado. O vereador não informou qual é sua ligação com Silva. Disse que não tem nada a ver com a exoneração do administrador. "É um problema do Serviço Funerário", disse.
A associação entre Silva e Leite, além de ser conhecida por funcionários do cemitério, está registrada na lista apreendida por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em cima da mesa de José de Vasconcelos Cunha, ex-superintendente do Serviço Funerário. Cunha foi demitido dias após a divulgação da lista. Ele teria sido indicado para a autarquia pela vereadora Maria Helena (PL).
A lista apreendida pelos promotores indica qual vereador controla cada cemitério municipal. No caso do Campo Grande, a exemplo do que ocorre nos Cemitérios São Pedro e Dom Bosco, dois administradores respondem pelo cemitério. O outro administrador, Laudionor Pereira, aparece na lista como uma indicação do vereador Mário Dias (PPB). Dias nega. "O administrador que indiquei foi o de Santo Amaro, Amaro Machado".
O Cemitério Campo Grande, fundado em 1953, é o oitavo maior do Serviço Funerário. Nele foi enterrado o ex-ministro das Comunicações, Sérgio Mota. Segundo o superintendente do Serviço Funerário, José Blota Neto, a sindicância sobre o cemitério continua, apesar de o administrador já ter sido exonerado. "Precisamos saber quem era o cúmplice que assinava o ponto para ele", disse.

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