São Paulo, 13 (AE) - O administrador de empresas Mauro Lopes, de 41 anos, preso na semana passada acusado do sequestro e estupro de uma médica de 30 anos, foi reconhecido por outras cinco mulheres no Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri). Lopes confessou na polícia que vem atacando mulheres desde 1995. Ele agia sempre da mesma maneira. No tráfego congestionado da Via Dutra, indicava para as moças no volante que os pneus do carro estavam furados ou murchos. Quando elas paravam, ele as ameaçava e obrigava a entrar em seu carro. "Eu fazia isso quando bebia e cheirava cocaína", declarou Lopes ao delegado Edson Santi.
A prisão de Lopes foi possível pela insistência da médica que, durante 17 dias, repetiu o trajeto feito dia 9 de setembro, quando foi sequestrada e estuprada. Ela acabou cruzando com o administrador de empresas, anotou a placa do carro dele e apresentou os dados aos policiais do Depatri, após sua denúncia ter sido ignorada por dez dias pelas investigadoras da Delegacia da Mulher de Guarulhos, na Grande São Paulo. Uma sindicância, que está para ser concluída, apura a possível negligência das policiais. Duas das vítimas que estiveram segunda-feira no Depatri, a arquiteta L.G., de 33 anos, e a bancária L.C., de 29, foram estupradas, respectivamente, em março e dezembro de 1995. M.B., de 30, também bancária, F.C., de 21, estudante, e M.N., de 30, escriturária, foram sequestradas entre julho de 1997 e maio de 1998.
Lopes vendava os olhos de suas vítimas com fita crepe e as violentava num terreno da Rodovia Fernão Dias. Uma delas conseguiu escapar. Disse para Lopes que ele poderia matá-la e recusou-se a fazer o que ele exigia. Depois de ser espancada pelo administrador de empresas, a moça conseguiu abrir a porta do automóvel e correu. Estava perto de uma favela, caiu num buraco e feriu-se. Confissão - Lopes admitiu ter estuprado quatro das cinco mulheres que o reconheceram no Depatri. Quanto às outras que confessou ter violentado, afirmou que se irá manifestar na Justiça. Em seu depoimento, contou ser casado, ter dois filhos, excelente salário e casa própria. Usou boné em todos os ataques e simulou estar armado. "Eu não tenho revólver". Os policiais estão investigando para saber se Lopes diz a verdade. Uma de suas vítimas afirmou ter visto uma arma na mão do estuprador. (R.L.)

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