Administrador acusa MST por sumiço de bens
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de maio de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina Especial para a Folha 
O administrador da fazenda Tamar, João Rubens Maciel, registrou vários boletins de ocorrência na polícia de Tamarana (Norte do PR) contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele responsabiliza seus integrantes pelo sumiço de diversos bens da propriedade. Segundo ele, em um mês de ocupação desapareceram da fazenda aproximadamente 300 cabeças de gado, 48 sacos de 30 quilos de sal mineral, 30 sacos de 25 quilos de sal de cozinha, dois mil litros de óleo diesel, móveis, eletrodomésticos e objetos pessoais.
A fazenda de 700 alqueires foi ocupada por cerca de 250 famílias no final de abril e liberada no último dia 21. Neste período, Maciel disse que permaneceu em uma chácara vizinha à propriedade porque não conseguia entrar na propriedade. Eles arrombaram as janelas da minha casa e os cadeados dos galpões. Tiraram o que puderam. Destruíram cercas, colheram o milho e abateram, pelo menos, 60 bois. Só com os animais o prejuízo deve ter ficado em torno de R$ 120 mil.
Maciel acredita que a apropriação dos bens foi facilitada pelo funcionário da fazenda, Antonio França de Camargo, irmão de um dos líderes do acampamento, e que foi demitido após a desocupação. No momento, os sem-terra estão instalados numa área de dois alqueires cedida pelo dono da Tamar Anibal Fonseca Pinto da Mota. Conforme acordo intermediado pela Promotoria Pública, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem 60 dias para encontrar um outro local para abrigar essas famílias.
Antes da ocupação havia 1.268 animais que não puderam ser retirados a tempo. Estamos tentando consertar o que foi destruído e limpar o que sobrou. Apesar da pressão dos sem-terra o proprietário não pensa em vender a fazenda porque ela é produtiva, comentou Maciel.
De acordo com o delegado-adjunto da Polícia Civil de Londrina, Eduardo Carulla, o furto dos bois será investigado pelo 4º Distrito Policial de Londrina que também poderá coordenar os demais inquéritos relacionados à fazenda. A Folha não conseguiu contato com o MST.


