São Paulo, 1 (AE) -A maior parte das administrações regionais (ARs) de São Paulo continua sob controle ou tem interferência direta de vereadores da base governista. Das 27 regionais, 19 encontram-se nessa situação. A existência de uma rede de ligações entre parlamentares e o prefeito Celso Pitta (PTN) pode influir no julgamento do processo de impeachment encaminhado pela seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Em alguns casos, a relação é direta, mas, ao contrário de outras épocas, ninguém faz alarde do domínio sobre as regionais. O prefeito, desde que passou o vendaval das denúncias da máfia dos fiscais, vem declarando que acabou com a influência dos vereadores nas regionais.
Com base numa lista preparada por funcionários da Prefeitura, a reportagem da Agência Estado passou a semana em consultas individuais a parlamentares e servidores da Câmara Municipal. Com o cruzamento das informações foi possível concluir que pelo menos 19 das 27 administrações ainda sofrem a interferência de vereadores.
Relações perigosas - O administrador de São Miguel Paulista, Rubens Rubio, por exemplo, foi indicado pelo presidente da Câmara Municipal, Armando Mellão (PMDB), em 1998. Ele continua no cargo.
Mellão nunca negou ter feito a nomeação. "Indiquei o Rubens Rubio e o prefeito o nomeou", afirmou. "Se continua lá, é por mérito próprio." Rubio, que era regional de São Mateus na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), foi exonerado por irregularidades na coleta de entulho. Ele, na época, havia sido indicado por Vicente Viscome, que perdeu o mandato e está preso.
Mesmo assim, Mellão confiava em Rubio. "Ponho minha mão no fogo por ele", arriscou-se, em fevereiro de 1999, quando surgiram as primeiras acusações sobre esquemas de corrupção na AR-São Miguel.
Auxílio - Já o regional de Cidade Ademar, Reinaldo Amad Meira, ocupa a função em razão de suas ligações com o vereador Antônio Goulart (PMDB). "Não o conhecia", garantiu o parlamentar. "Pedi que outros engenheiros da Prefeitura me ajudassem a indicar um nome."
A AR-Cidade Ademar teria sido criada especialmente para Goulart. Ele integrou o grupo de 12 "rebeldes" que, no início da gestão, pressionou Pitta para obter mais espaço na administração municipal. "Lutei muito para conseguir montar a regional", disse. "Na época, a Prefeitura prometeu desativar um terreno para a construção da sede e garantiu que eu teria orçamento e equipamentos."
O vereador, no entanto, afirma que abriu mão do controle da AR em fevereiro de 1999, poucos meses depois da primeira denúncia de esquemas de corrupção envolvendo fiscais das administrações e vereadores. Mesmo assim, Amad Meira continua a chefiar a AR-Cidade Ademar.
Interferência - O regional da AR-Vila Maria/Vila Guilherme, Francisco de Assis Mendes Ribeiro, foi indicado por Wadih Mutran (PPB) antes das denúncias sobre a máfia dos fiscais. O parlamentar, que historicamente domina a região, não respondeu à reportagem. Ribeiro continua no comando da regional.
Na AR-Tremembé/Jaçanã, que está sob controle do vereador Cosme Lopes (PPB), cabos eleitorais tiraram proveito político de um evento promovido pela regional na semana passada. (Colaborou José Gonçalves Neto)

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