Administração usa Internet para melhorar logística
Os administradores do Porto de Paranaguá (PR) iniciaram este ano um projeto para criar um sistema de troca eletrônica de informações em rede, do tipo EDI (Electronic Data Interchange), com o objetivo de integrar parceiros e clientes e melhorar a logística do porto. O chefe do Departamento de Informática da Administação dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Tessutti Dividino, afirma que a burocracia e as dificuldades na troca dos documentos são atualmente o principal gargalo do porto. Segundo ele, o uso da Internet entre os operadores portuários já permitiu ganhos, contribuindo para o fim das filas de caminhões na entrada do porto na época do escoamento da soja.
As filas dos caminhões, que chegaram a ter até 20 km em anos anteriores nos períodos de safra, foram reduzidas a zero este ano. Segundo Dividino, a disponibilização de informações sobre o porto na Internet, no site www.pr.gov.br/ports (no item appa on line), contribuiu bastante para que isso ocorresse. Basta entrar na rede e o transportador fica sabendo se a carga foi liberada para ser carregada e em que terminal ela está; não há necessidade de ficar esperando na fila, explica.
Segundo ele, o programa da implantação do sistema EDI faz parte da modernização do corredor de exportação de Paranaguá no qual estão sendo investidos R$ 36 milhões, sendo R$ 13 milhões pelo governo estadual e o restante pela iniciativa privada. O processo de integração eletrônica é demorado e estamos apenas na primeira fase, que prevê a troca de dados entre os operadores portuários, afirma Dividino.
Segundo ele, a burocracia ainda é o principal gargalo da logística do porto. A partir de 2001, quando chegarão novos equipamentos, Paranaguá terá condições de movimentar 80 contêineres por hora. O desembaraço da carga, porém, continua quatro vezes mais lento, por causa da burocracia. A velocidade do desembaraço é de apenas 18 contêineres por hora, afirma Dividino.
Dividino declara que estudos feitos pelos administradores do Porto de Barcelona (Espanha) concluíram que em 1997 o porto espanhol emitiu 19 bilhões de documentos. No mundo todo, estima-se que 30% das emissões de documentos se referem à atividade de transportes, afirma. De acordo com ele, os investimentos na troca eletrônica de informações foram iniciados nos anos 70 nos principais portos europeus para integrar portuários, armadores, transportadores e profissionais da alfândega. No Brasil, estamos apenas engatinhando, diz ele. Em contrapartida, segundo Dividino, o País terá à disposição os sistemas mais modernos, podendo queimar etapas em relação aos portos mais desenvolvidos. (A.E.)





