Administração Pitta teve problemas desde o início
Administração Pitta teve problemas desde o início13/Mar, 20:37 Por Alceu Luís Castilho São Paulo, 13 (AE) - A trajetória do prefeito Celso Pitta (PTN) desde que foi escolhido por Paulo Maluf (PPB) seu sucessor na Prefeitura é uma história de problemas. Em pouco mais de três anos, teve os bens bloqueados mais de uma vez, quase sofreu o impeachment, foi investigado pelo Senado, Polícia Federal e Ministério Público. Passou do PPB para um partido nanico, o PTN. Com as declarações de Nicéa Pitta, seu horizonte político parece implodir. Falsas ou verdadeiras, as declarações de Nicéa já provocaram um estrago. Os personagens citados por ela são os mesmos dos principais escândalos da atual administração - em alguns casos, com incursão em outros poderes. Assim, nomes como o do ex-senador Gilberto Miranda (PFL-AM), que ajudou a retirar o nome de Pitta e Maluf da CPI dos Títulos Públicos, no caso dos precatórios, reaparecem agora como supostos interlocutores de empreiteiras. As histórias que resultaram entrevista de Nicéa são aquelas do submundo da política: negociatas, tráfico de influências, favorecimentos, ameaças. Quando Pitta assumiu a Prefeitura, anunciou que os vereadores perderiam o controle das regionais. Teve de voltar atrás. Estourava a primeira rebelião na Câmara, mas os governistas mantiveram o poder. Se Pitta não cedesse, perderia a base política para a aprovação de seus projetos. O negociador, pelo Executivo, foi Edevaldo Alves da Silva, citado por Nicéa como articulador do suposto esquema de suborno de vereadores. Um ano e meio depois, os "rebeldes" foram os vereadores governistas que não participaram do primeiro motim. Ameaçaram com abertura de CPIs, conseguiram o que queriam e desistiram. No ano passado, pressionados pela opinião pública, abriram a CPI dos Fiscais. Dois vereadores, Maeli Vergniano e Vicente Viscome, e um deputado estadual (e ex-vereador), Hanna Garib, foram cassados. José Izar teve o mandato preservado. Três meses depois a CPI foi encerrada. Entre as duas rebeliões na Câmara e antes de sua administração ser devassada pela polícia e o Ministério Público, Pitta tornou-se personagem nacional. A CPI dos Títulos elevou nomes do segundo escalão do governo Maluf, como Wagner Ramos, à condição de figuras importantes nas negociatas nacionais com precatórios. Com o foco voltado para o PPB paulista e para as contas do casal Pitta, outras histórias surgiram. Boa parte delas envolvia o nome de Nicéa. Ela teve um aluguel de carro pago no Rio por um banco beneficiado por Ramos e levou seu Vectra às páginas dos jornais: segundo a Receita Federal, ele tinha sido pago por terceiros. Finalmente, Nicéa teve seu nome envolvido no escândalo dos frangos. Ela vendia frangos de uma empresa da família de Maluf. A empresa ganhara uma licitação na Prefeitura, que ficou sob suspeita de ser dirigida. O diretor da licitação, Marcelo Pereira Daura, é casado com uma sobrinha de Maluf e, como Pitta, é ex-funcionário da Eucatex empresa da família de Maluf. Ele continua na Prefeitura, coordenando concorrências milionárias. Resistiu a oito secretários da Administração e derrubou pelo menos dois, segundo os próprios. Um deles não chegou a tomar posse, num dos episódios mais constrangedores da gestão: foi preso antes. A permanência de Daura desde 1993 no cargo reforça a tese defendida por Nicéa: a briga entre Maluf e Pitta pode ter sido uma encenação. Pitta nega. Em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo" em dezembro, disse que sua avaliação negativa nas pesquisas decorre de uma campanha movida pela imprensa. Segundo o InformEstado, os paulistanos levaram em conta as promessas não cumpridas, como o fura-fila, ainda em fase de obras de um trecho experimental. Mas Pitta diz que sua administração foi marcada pelo combate à corrupção e pela ênfase nos programas sociais. Classificou-se de "estadista" e disse que sua gestão está sendo melhor que a de Maluf. Panela - Mesmo trocando o PPB pelo PTN, o prefeito continuou ligado aos caciques malufistas. É o caso de Jorge Yunes, que emprestou R$ 600 mil a Pitta, que teve os bens bloqueados pela Justiça. "Ele estava com a panela vazia", disse o empresário e presidente de honra do PPB, presidido por Maluf. Segundo Nicéa (para quem três anos de administração destruíram 30 anos de casamento), a panela nunca esteve vazia.





