Rio Branco, 16 (AE) - A administração do presídio especial, que está sendo adaptado para abrigar os 39 acusados de integrar o grupo de extermínio e o esquema de narcotráfico supostamente liderados pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal, poderá provocar uma crise entre a Polícia Federal (PF) e o governo estadual do Acre. O governador Jorge Viana (PT) afirmou hoje que a PF deve administrar em conjunto com a Polícia Militar (PM) o novo complexo prisional que deve ficar pronto no dia 20, mas o superintendente em exercício da PF no Acre, Nei Ferreira de Sousa, adiantou que essa não é a atribuição constitucional da corporação.
"Como há prisões de competência federal e estadual, a administração deve ficar com a Polícia Federal e a Polícia Militar", afirmou Viana. "Não é atribuição constitucional da Polícia Federal tomar conta de presos e de jeito algum vamos fazer isso, a não ser que ocorra uma determinação direta do Ministério da Justiça e ainda pedirei reforço", afirmou Sousa.
O governador disse ter conversado hoje com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, e que estão em entendimento para assinar um convênio. O procurador da República, José Roberto Santoro, disse várias autoridades são favoráveis a essa solução, mas ainda não há nada acertado.
A participação da PF na administração do novo presídio, que funcionará a partir da conclusão das obras de adaptação no Centro de Formação de Praças da PM local, demonstra uma desconfiança em manter os acusados de integrar os grupos de extermínio e de tráfico de drogas sob a guarda da polícia estadual. O governo estadual, entretanto, não admite essa tese.
"Estamos enfrentando o problema de frente, tanto que a PM reduziu o índice de homicídio, aumentou o número de prisões e nenhum policial ou civil morreu por causa dessa ação eficaz", argumentou Viana.
Precaução - Depois que o Ministério Público Federal (MPF) pediu as prisões preventivas e a Justiça Federal as acatou, 39 acusados foram presos e mantidos em Brasília. Como vários indiciados pertencem à PM do Acre, as autoridades locais e federais temiam que pudesse ocorrer alguma tentativa de fuga ou atentado contra testemunhas de acusação.
Com o início dos processos, no qual a Justiça tem de ouvir testemunhas de acusação e de defesa na presença dos réus, os presos em Brasília têm de ser transportados de avião para Rio Branco. Além do custo da operação, estimada em R$ 100 mil, existe o problema de as testemunhas virem algemadas aos acusados.
Isso favoreceu ameaças e imitimidações ocorridas durante o último vôo, no domingo passado. As principais testemunhas na tentativa de assassinato do ex-secretário municipal das Finanças de Rio Branco Walterlúcio Campelo e no assassinato do policial Jonaldo Martins, desistiram de depor ou contaram uma versão diferente do relato feito ao Ministério Público Estadual (MPE).
"Isso quase colocou em risco toda a acusação", reconheceu o procurador estadual Eliseu Buchemeier. Ele acredita ter conseguido reverter a situação, mas só terá certeza quando as testemunhas depuserem em juízo.
Depoimentos - O assaltante Francos França de Freitas, o Del, acusou hoje o soldado da PM Alex Fernandes Barros, um dos homens de confiança de Hildebrando, de entregar-lhe entorpecente para vender na cidade, segundo informou o advogado Jair de Medeiros. Ele defende o pistoleiro Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho.
O soldado Alex, como é conhecido em Rio Branco, também é acusado de ser o mentor de outros assassinatos atribuídos ao grupo de extermínio supostamente liderado por Hildebrando. O vereador Alípio Vicente Ferreira (PPB), cujo depoimento poderá complicar ainda mais a situação de Hildebrando e Pedro Pascoal no processo sobre a morte de Agílson Santos Firmino, o Baiano, teve problemas de saúde e o depoimento foi suspenso.

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