A administração superior da Universidade Estadual de Londrina (HU) anunciou ontem que vai abrir processo disciplinar administrativo para apurar irregularidades na utilização do cartão-ponto no Hospital Universitário (HU). Em entrevista coletiva o reitor Wilmar Marçal, acompanhado do vice-reitor César Caggiano, pró-reitores e diretores de centros, divulgou imagens feitas pelas câmeras de vigilância interna do hospital que mostram médicos passando mais de um cartão ou passando o cartão, entrando no hospital e saindo após alguns minutos.
No caso dos médicos que saem após dar entrada no plantão, as câmeras flagraram inclusive os carros deixando o estacionamento. Em um dos casos, uma médica deixa o veículo estacionado ao lado da entrada do hospital, entra e passa dois cartões (provavelmente o dela e de outro médico que não compareceu ao trabalho). Em um segundo momento, a mesma profissional aparece passando três cartões-ponto. Dos seis profissionais que aparecem na gravação, dois são professores do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, os outros quatro são médicos contratados para atender no hospital. Como o processo ainda será aberto e os profissionais têm direito a defesa, a universidade não divulgou suas identidades.
O controle eletrônico, que já era utilizado em outros setores da UEL, foi estendido para todos os funcionários da área de saúde no final do mês de março, por determinação do Conselho de Administração (CA) da instituição. A medida atingiu servidores de nível superior ou cargos comissionados dos hospitais Universitário, Veterinário e de Clínicas, além da Clínica Odontológica Universitária. Na época o pró-reitor de Recursos Humanos, Fábio Cezar Martins, informou que a medida tinha o intuito de conferir maior qualidade no atendimento e na gestão do serviço de saúde.
''Em nome da universidade eu peço perdão à população pelos atendimentos que deixaram de ser feitos. É lamentável o egoísmo e a ganância de alguns profissionais'', afirmou Marçal. A visita ao sistema de vigilância do hospital foi feita por uma comissão no dia 18 de maio, quando foram percebidas as irregularidades. No mesmo dia o diretor superintendente do hospital, Francisco Eugênio Alves de Souza, foi procurado para esclarecimentos mas não foi encontrado.
Em nota oficial divulgada no final da tarde de ontem, a direção do HU lembra que o compromisso institucional dos funcionários, docentes e alunos se expressa por meio da qualidade dos seus serviços de pesquisa, ensino e assistência à saúde, amplamente reconhecida. O texto afirma que a administração do HU sempre se pautou pela apuração de infrações cometidas por servidores da instituição e manterá essa conduta. ''Porém, sempre evitará o tratamento generalizado desses episódios, na medida que essa conduta compromete o conjunto de servidores do HU, formado por pessoas que sempre atuaram de forma contínua e profissional.''
Francisco Eugênio marcou uma entrevista coletiva para hoje de manhã, quando deve se pronunciar sobre o assunto.

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