Aditivo de plásticos DOP não é cancerígeno, garante agência2/Mar, 18:49 Por Viviane Mottin São Paulo, 2 (AE) - A confirmação da Agência Internacional para Pesquisa de Câncer (IARC) de que o DOP - di-octil-ftalato, produto químico usado para tornar os plásticos macios e flexíveis - não é cancerígeno vai fazer com que a União Européia (UE) reveja sua posição sobre os brinquedos de PVC para crianças menores de 4 anos. Em dezembro, a UE baixou uma portaria proibindo a comercialização desses produtos no bloco comercial. O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, afirma que o Brasil não aderiu à proposição européia porque o ftalato DOP foi abolido dos brinquedos brasileiros para essa faixa etária já há dez anos. "Agora eu quero ver como a União Européia vai explicar o banimento do brinquedos de PVC", provoca Synésio Batista. Há dez anos, quando ainda não havia comprovação sobre a existência ou não de substâncias que provocam câncer (carcinogênicos) no DOP, ele propôs aos Estados Unidos que retirasse esse insumo químico da composição dos brinquedos de PVC. "Eles concordaram, mas não honraram o acordo. Enquanto isso, a indústria brasileira foi obrigada a trocar de plastificante, o que encareceu nossos produtos", lembra Synésio Batista. Na União Européia, as campanhas do Greenpeace, iniciadas há dois anos, convenceram as autoridades a banir o DOP a partir de dezembro do ano passado. A portaria é revista a cada três meses. "De posse do estudo oficial, feito por pessoas isentas, a Europa terá que rever sua posição", observa o presidente do Instituto do PVC, Francisco de Assis Esmeraldo. O Ministério das Relações Exteriores, no Brasil, se manifestou contra o banimento do DOP misturado ao PVC, no País. "A posição do Brasil é correta e o documento da IARC prova isso", avalia Francisco Esmeraldo. O resultado do estudo feito durante as duas últimas décadas foi anunciado por 28 especialistas da IARC, entidade norte-americana que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 22 de fevereiro, na França. Até então, pensava-se que as crianças, ao mastigar brinquedos plásticos de PVC, ingeriam quantidades de DOP que mais tarde poderiam provocar câncer. Das 660 mil toneladas de PVC consumidas pela indústria de transformação brasileira, no ano passado, 0,6% ou 4 mil t foram para o segmento de brinquedos - incluindo aí aqueles para crianças de menos de 4 anos. Para tornar o plástico flexível foram acrescentadas 1,2 mil t de ftalatos, entre eles o DOP, informa o Instituto do PVC. O faturamento das indústrias do setor de brinquedos, em 1999, somou R$ 820,1 milhões de reais, 5,8% a mais do que em 1998. Para este ano, a Abrinq prevê que o faturamento crescerá 7%. Synésio Batista afirma que a questão do DOP e outros ftalatos nunca prejudicou as exportações de brinquedos brasileiros.