A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo adiou para a próxima semana o julgamento do recurso impetrado pelo Ministério Público visando impedir a libertação de Francisco Costa Rocha, de 55 anos, o ‘‘Chico Picadinho’’. Rocha ficou conhecido como Chico Picadinho por ter esquartejado duas mulheres, em 1966 e 1976, em São Paulo. O ex-corretor já está em condições de ser solto desde domingo, porém, a Promotoria Criminal pretende evitar que isso aconteça e quer que a pena seja convertida em medida de segurança para que ele permaneça internado em um manicômio judiciário. O MP sustenta que Chico é doente mental e representa perigo à sociedade.
O relator do processo, desembargador Hélio de Freitas, votou pela rejeição do recurso. Outros dois juízes aindam vão votar. O relator destacou que não há fundamento legal para manter Chico Picadinho na cadeia. A conversão da pena em medida de segurança só é autorizada quando a doença mental ocorre durante o cumprimento da pena.
Não há o risco de Chico Picadinho ser solto - pelo menos por enquanto - e ameaçar a sociedade. Isso porque o MP conseguiu sua interdição, mediante liminar concedida em abril pelo juiz da 2ª Vara Cível de Taubaté, para que ele seja mantido em manicômio.
O advogado do criminoso, José Alfredo Salvatti, impetrou um pedido de habeas corpus no Fórum de Taubaté. O pedido será encaminhado ao Tribunal de Justiça. O defensor de Chico Picadinho pleiteia a revogação da liminar que decretou a interdição do criminoso.
O primeiro crime de Chico Picadinho ocorrem em 3 de agosto de 66. O criminoso matou a dançarina Margaret Suida, num apartamento da Rua Aurora, centro de São Paulo. Ele esquartejou o corpo com lâmina de barbear e tesoura. Jogava os pedaços no vaso sanitário e dava repetidas descargas. Foi condenado a 15 anos por homicídio e dois anos e seis meses pela destruição do cadáver. Em 1974, com parecer favorável de psiquiatra, obteve liberdade condicional. Dois anos depois, em 18 de outubro de 1976.A vítima, dessa vez, foi a prostituta Angela de Souza Silva, morta num apartamento da Avenida Rio Branco, também na região central de São Paulo. Pelo segundo crime foi condenado a 20 anos de prisão, aos quais foram somados os que restavam da primeira condenação.

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