O juiz José Geraldo Antônio, do 2º Tribunal do Júri do Rio, adiou ontem o julgamento de dez acusados de participação na chacina de Vigário Geral, que seria realizado hoje. O juiz atendeu a uma pedido do Ministério Público, alegou a impossibilidade de comparecimento de uma das testemunhas de acusação, Vera Lúcia Silva dos Santos. Vera Lúcia, que perdeu oito parentes na chacina, deu à luz uma menina na sexta-feira.
O advogado de oito dos réus que seriam julgados hoje, Themístocles Faria Lima, concordou com o adiamento, desde que fosse concedido relaxamento de prisão a um de seus clientes, o ex-PM Sérgio Cerqueira Borges, o Borjão, que em abril perdeu direito à liberdade condicional por ter feito declarações ofensivas à Justiça numa entrevista. O Ministério manifestou-se contra a libertação de Borjão, alegando que o adiamento do júri tem amparo legal.
No entanto, o juiz José Geraldo Antônio atendeu ao pedido da defesa do ex-PM e concedeu novamente liberdade condicional a Borjão. Dos outros nove réus que seriam levados a júri, dois estão presos, por outros processos. Os demais tiveram direito à liberdade condicional depois de terem gravado, na prisão, fitas que indicaram novos envolvidos no crime e provocaram uma reviravolta no processo.
Com o adiamento, os dez réus só serão levados a júri no ano que vem. A chacina ocorreu em 30 de agosto de 1993, e resultou na morte de 21 pessoas. Até hoje, apenas dois dos 52 implicados no crime foram julgados: os ex-PMs Paulo Roberto Alvarenga e Arlindo Maginário Filho. Ambos receberam condenação superior a 400 anos de prisão.

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