Zagreb, 04 (AE-REUTERS) - O julgamento do último comandante vivo conhecido de um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial foi suspenso pouco depois de ter sido aberto hoje (04) em Zagreb, quando o acusado Dinko Sakic foi declarado sem condições físicas para enfrentar o processo.
O julgamento será retomado em 15 de março, afirmou o juiz Drazen Tripalo depois que dois médicos disseram ao tribunal que o fluxo sanguineo cerebral de Sakic estava obstruído e sua condição era instável.
"As condições de saúde do senhor Sakic não o permitem continuar participando do julgamento... Dada sua avançada idade e pressão alta, achamos que elas poderiam realisticamente se deteriorarem, colocando em risco sua saúde e sua vida", afirmou o doutor Dusan Zecevic.
Efraim Zuroff, líder do Centro Simon Wiesenthal, de caça de nazistas, em Jerusalém, disse a repórteres do lado de fora do tribunal que estava desapontado com o adiamento.
"Se em 10 dias o julgamento for adiado novamente, se isto ocorrer de novo e de novo e ele não for julgado, será uma prova de que este país não está preparado para um julgamento como este", afirmou.
"Se eles estiverem prontos para enfrentar o passado, Sakic irá ser julgado e a verdade será dita", acrescentou.
Muitos ativistas judeus e dos direitos humanos têm visto o julgamento como uma oportunidade para a Croácia publicamente condenar seu passado fascista.
A organização judáica Bnai Brith pediu que uma equipe de médicos internacionais decida se Sakic tem condições de enfrentar um julgamento "a fim de evitar mesmo uma aparência de falta de integridade ou perfeição", afirmou o presidente honorário Tommy Baer numa entrevista coletiva.
"Nosso temor... é que isto possa ser uma tática que já foi usada anteriormente, e visa criar contínuos atrasos e reduzir a atenção mundial para o caso de imensa importância histórica, não só para a Croácia mas para esta região, para o mundo e para o mundo judáico", disse ele, acrescentando que Sakic é o último conhecido comandante de um campo de concentração ainda vivo.
Sakic, 77 anos, foi levado para uma clínica em Zagreb na noite de terça-feira depois de ter vomitado, desmaiado e sofrido de pressão muito alta. Mais tarde ele foi transferido para um hospital carcerário.
Ele parecia calmo e alerta quando apareceu no tribunal para a abertura do julgamento. Ele é acusado de ser responsável pela morte de 2.000 pessoas no campo de concentração de Jasenovac, que ganhou o apelido de "O Auschwitz dos Bálcãs"
Sakic também trabalhou na seção administrativa de Jasenovac, onde milhares de judeus, sérvios, ciganos e croatas antifascistas morreram entre 1941 e 1945, enquanto a Croácia era governada pelo regime fascista de Ustashe, apoiado pela Alemanha Nazista.
Ele comandou o campo de abril a novembro de 1944 e também era o vice-comandante do vizinho campo Stara Gradiska.
"Ele submeteu os internos a excessivos trabalhos físicos pesados, fome, abuso físico e mental... e, em muitos casos, à morte", segundo o indiciamento. Também foi dito que ele permitiu que outros membros da Ustashe matassem arbitrariamente presos.

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