Boa Vista, 17 (AE) - O encontro entre as 44 lideranças indígenas da reserva Raposa Serra do Sol (norte de Roraima), e fazendeiros da região, previsto para ocorrer hoje, foi adiado. Os líderes indígenas querem que a Polícia Federal investigue a morte de dois índios nos últimos dias. As condições dos corpos de Ruan Almeida André, de 14 anos, encontrado enforcado em sua rede de dormir na comunidade do Maturuca, e Regilino Nascimento Souza, de 18, morto na Maloca Pedra Preta, tem intrigado os tuxauas. Eles querem conhecer todos os detalhes sobre as mortes, uma vez que a versão inicial de suicídio vem sendo contestada porque não há registro de suicídios entre a comunidade Macuxi, etnia da qual pertenciam os dois.
Estes fatos, segundo lideranças do Conselho Indigenista de Roraima, tem preocupado as comunidades exatamente quando se discute, com fazendeiros da região, a demarcação da reserva em 1,6 milhão de hectares. Os desentendimentos entre índios e brancos, na cidade de Uiramutã, iniciaram-se em janeiro com acusações de ambas as partes e até agressões. Os fazendeiros alegam que não podem deixar a região porque estão no local há mais de 60 anos. Os indígenas, com apoio do Conselho Indigenista e Conselho Indigenista Missionário, ligado à Igreja Católica, defende a saída imediata de todos os brancos da região, alegando que o homem branco é nefasto para sua cultura.
A administração local da Fundação Nacional do Índio entende que o momento é delicado, mas dá apoio à causa indígena até que o presidente da República nomeie o substituto do ex-presidente da entidade, Sullivan silvestre, morto em acidente aéreo recentemente.

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