Adiada saída do MST da Fazenda Três Marias
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que ocupam há mais de um ano a fazenda Três Marias, em Manoel Ribas (146 km ao sul de Apucarana), devem deixar o local em uma semana. O prazo foi estipulado ontem durante um acordo com a Polícia Militar, representantes do MST e a proprietária da fazenda, Maria das Mercês Lacerda.
Mais de mil policiais de todo o Estado foram deslocados, ontem, para a fazenda, para o cumprimento da reintegração de posse da área. A negociação começou pela manhã e terminou por volta das 17 horas. Segundo informações da PM, o acordo foi feito para que não houvesse confronto, já que mais de mil sem-terra ocupam a fazenda. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria de Segurança Pública, a negociação ''foi demorada, mas sem conflito''. ''O objetivo era a reintegração, mas houve consenso'', afirmou o comandante da 2 Companhia da PM em Ivaiporã, Tenente Laércio Sagati.
Uma nota publicada ontem na Agência de Notícias do governo informou que ''o iminente risco de um confronto na Fazenda Três Marias, fez com que o Governo do Paraná fechasse este acordo, suspendendo o processo de desocupação da área temporariamente''. Segundo a nota, crianças e mulheres do MST foram retiradas da fazenda e substituídas por mais de 400 homens, indicando uma possível resistência e confronto em caso de desocupação.
Um integrante do MST, Edilson Moraes, confirmou que havia possibilidade de resistir à desocupação. Ele informou que uma ponte que dá acesso à fazenda teria sido derrubada para tentar impedir o acesso da PM. O Tenente Sagati não confirmou a derrubada da ponte, mas disse que os sem-terra tentaram dificultar o acesso da PM colocando veículos ''atravessados'' no trajeto.
A fazenda foi invadida no dia 12 de maio do ano passado e na ocasião foi motivo para um grande protesto de ruralistas, comandados pelo Sindicato Nacional de Proprietários Rurais (Sinapro). Durante o protesto, que deu inicío ao movimento ''Tolerância Zero'' contra invasões de terra, os fazendeiros montaram acampamento na estrada fechando o acesso à fazenda. O objetivo do protesto era pressionar o governo estadual a cumprir as duas liminares de reintegração de posse, concedidas pela Justiça alguns dias após a invasão.
Ontem, a Folha não conseguiu contato com os coordenadores estaduais do MST na região e com a proprietária da fazenda, que no final da tarde estava retornando da fazenda para Guarapuava. Segundo informações da secretaria de Segurança Pública o Incra teria interesse na compra da área para assentar famílias sem-terra.


