Adiada para sexta negociação sobre conflito agrário
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Uma solução para resolver o impasse dos conflitos agrários no Paraná ficou adiada para sexta-feira. Ontem, representantes dos sem-terra, governo estadual e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) decidiram que vão estudar as reivindicações de cada parte para tomar uma decisão final no próximo dia 15. Há um ano, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Incra e governo não sentam na mesa para discutir os problemas de assentamentos e violência no campo.
A definições de um cronograma de assentamentos foi o tema principal ontem. O MST pediu ao ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, uma solução para assentar 2,5 mil famílias, que foram despejadas de 32 áreas há um ano.
De acordo com Darci Frigo, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), alguns despejos foram realizados irregularmente, porque tinham laudos que comprovavam que as áreas eram improdutivas. O assessor fundiário do governo estadual, Antônio Carlos Coelho, disse que todos os mandados tiveram respaldo legal.
O ouvidor Gercino José da Silva Filho decidiu que as áreas onde existem laudos de improdutividade e que não estão sub judice serão estudadas pelo Incra, para avaliar a possibilidade de transformá-las em assentamentos.
Outro nó desatado foi sobre o cumprimento de outros oito mandados de reintegração de posse, como os das fazendas Araupel e a Sete Mil (ambas no Norte do Estado). O governo estadual estaria disposto a esperar a indicação de novas áreas antes de realizar o despejo.
Gercino alertou que o Incra e o governo federal estão dispostos a atender as reivindicações dos sem-terra, mas a quantidade de terras estaria condicionada a verbas.
A discussão sobre a violência no campo foi transferida para outra reunião. Já o desarmamento somente será realizado no ano que vem, mas sem que se fixe uma data, para poder pegar todos de surpresa, disse o ouvidor.


