Adeus a Rolim teve vôo rasante e chuva de pétalas
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segunda-feira, 09 de julho de 2001
André Siqueira Agência Estado De São Paulo 
Uma chuva de pétalas de rosas - lançadas de um helicóptero -, vôos rasantes de Airbus e aplausos foram a maneira encontrada pelos parentes, amigos e funcionários para prestar as últimas homenagens ao comandante Rolim Adolfo Amaro. O corpo do presidente da TAM foi enterrado às 15h30, no Cemitério de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Rolim morreu na manhã de domingo, na queda do helicóptero Robson R-44, no município de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Ele estava acompanhado pela funcionária da empresa, Patrícia dos Santos Silva, que também morreu no acidente.
Milhares de pessoas, entre elas políticos, empresários e artistas, foram ao cemitério e ao velório, no Pavilhão Oficial do Aeroporto de Congonhas, se despedir do comandante, que à frente da TAM, se transformou em um dos maiores nomes da aviação brasileira. Ele foi um dos últimos homens da aviação brasileira como eram no passado. Depois dele, começaram as gestões profissionalizadas, com as decisões tomadas todas em equipe, comentou o presidente da Varig, Ozires Silva, amigo pessoal e concorrente nos negócios.
Era comum encontrá-lo nos vôos, sempre brincando, próximo de todos, lembrou uma aeromoça. Presente ao velório, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou nunca ter visto o falecimento de um empresário causar tanta comoção entre empregados.
As manifestações dos presentes mostravam, de fato, que eram muitas vezes os políticos que buscavam a ajuda do comandante. É uma grande perda para São Paulo e para o País, afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lembrando que Rolim planejava a construção de um museu no interior do Estado.
O caixão, que permaneceu fechado, foi coberto pelas bandeiras do Brasil, da TAM, do São Paulo Futebol Clube e da escola de samba carioca Salgueiro, que homenageará o empresário no próximo Carnaval. A missa de corpo presente foi celebrada pelo bispo da Paróquia de Santo Amaro, dom Fernando.
A mãe do comandante, dona Etelvina, os filhos Maria Cláudia, Maurício e Marcos e a esposa, Noemi, permaneceram juntos do início da manhã até o momento do enterro.
Segundo executivos da empresa, a preparação de um sucessor não estava entre os planos de Rolim Amaro, mas o sistema de gestão adotado - com seis vice-presidentes em áreas estratégicas - permitirá uma transição tranquila até que se decida quem ocupará a presidência da mais rentável companhia aérea do País.
A escolha deverá ser feita pelo Conselho Administrativo da companhia, que agora conta com o vice-presidente Daniel Martin - o executivo mais cotado para substituir Rolim - e cinco conselheiros: Antonio Luiz Barros Junior, Paulo Lehman, Shigeaki Ueki, Marcelo Pereira Medeiros e Sônia Villa-Lobos. Mas o poder, em última instância, está nas mãos da esposa de Rolim, dona Noemi, que herda 91,65% do capital votante.
Ontem, peritos da aeronáutica paraguaia e brasileira iniciaram investigação para tentar esclarecer os motivos do acidente. As primeiras suspeitas estão baseadas nas informações colhidas no local da queda do aparelho. Apesar de todos os vestígios deixados pelo desastre indicarem que houve a chamada pane seca (falta de combustível), os peritos querem determinar quem estava no comando da aeronave, Rolim, ou sua acompanhante, a gerente, Patrícia dos Santos Silva, 31 anos.


