Adesão de novos membros à Europa dos 15 ainda causa divergências
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sexta-feira, 11 de junho de 1999
Por Gilles Lapouge, Correspondente 
Paris,12 (AE) - A Europa, que manteve uma "frente unida" na guerra de Kosovo, sai do conflito reforçada: "Talvez se diga amanhã que a Europa nasceu em 1999, faltando apenas alguns meses para o final do milênio!", escreve com lirismo o diretor de Le Monde.
E as eleições dos deputados europeus, hoje, constituiriam, segundo o mesmo jornal, outro sinal do surgimento da Europa (apesar da previsão de uma taxa de abstenção tida como catastrófica).
Prescindindo dessas frases que parecem às vezes vagas e ocas, a ocasião é propícia para analisar o futuro da Europa. De imediato, duas séries de problemas deverão ser enfrentadas por Bruxelas (Comissão Européia) e Estrasburgo (Parlamento Europeu): a criação de uma diplomacia unificada e de uma defesa européia confiável, e não ridícula, como atualmente. E, igualmente, a ampliação da União Européia (UE).
Essa ampliação é uma constante na construção européia: na década de 1950, a Europa (CEE) contava com seis membros (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda). Em 1973, foram admitidos três novos países: Dinamarca, Irlanda e Grã-Bretanha.
Em 1981, a Grécia integra a união e fala-se da Europa dos 10. Em 1986, surge a Europa dos 12, graças à chegada de Portugal e da Espanha. Dez anos mais tarde, em 1986, áustria, Finlândia e Suécia juntam-se ao comboio. Nasce a Europa dos 15 - a Europa atual.
O fim do império soviético cria uma corrente de ar que sopra em direção ao Leste. Todos os antigos satélites de Moscou, agora livres, aspiram a uma união com a rica Europa. Mas os exames de admissão são severos.
A União Européia não pode tolerar disparidades econômicas muito fortes. Por isso, é preciso bater à porta durante muito tempo.
Atualmente, seis países estão à espera: Chipre, Estônia, Hungria, Polônia, República Checa e Eslovênia. Acredita-se que serão admitidos por volta do ano 2006.
Diante desse movimento de adesão, os grandes países fundadores da UE mantêm posições divergentes: a Alemanha pensa que a UE pode absorver sem problemas outras nações, consolidando ao mesmo tempo as próprias estruturas.
A França foi reticente durante muito tempo: temia que uma Europa muito numerosa, muito vasta, acabasse diluindo-se e dispersando-se. Mas o presidente francês atual, Jacques Chirac, que é um homem muito entusiasta, mudou essa mentalidade: logo que entra em contato com um dirigente de um Estado do Leste, Chirac promete patrocinar a entrada de seu país na UE.
A Inglaterra sempre foi favorável à entrada de novos membros na Europa. Margaret Thatcher foi quem fixou a doutrina sobre esse ponto: efetivamente, como os ingleses não gostam da Europa, acham que a UE se transformará numa vasta zona de livre comércio se muitos países a integrarem.
No fim das contas, seria como destruir a Europa, empurrando suas fronteiras sempre para mais longe, se possível, até o infinito.
Alguns números permitirão compreender o perigo que representaria uma abertura rápida demais das portas do clube europeu. Esses números mostram a enorme disparidade das economias em questão.
O PIB per capita eleva-se a 33 mil ECUs (unidade monetária européia, o euro) para um cidadão de Luxemburgo - campeão em todas as categorias. Depois, há um grupo de oito países cujo PIB é superior a 20 mil euros (Dinamarca, Suécia, Alemanha, áustria, Bélgica, França, Holanda, Finlândia). A Grã-Bretanha tem um PIB de 19,2 mil euros, e, entre os 15 membros atuais da UE, o menos rico é Portugal, com um PIB de 8,9 mil euros.
Ora, Portugal parece um "nababo", quando comparado aos países do Leste, que postulam sua integração à União Européia em 2006. A Hungria tem um PIB de 2,8 mil euros - ou seja, aproximadamente 12 vezes menor que o PIB de um habitante de Luxemburgo. É, pois, compreensível que a União Européia "se apresse lentamente" em abrir suas fronteiras aos candidatos dos países do Leste.


