Adesão de governistas influenciou votos de colegas
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Marcus Lopes e Rogério Panda 
São Paulo, 18 (AE) - O resultado da votação de hoje já era esperado pelos vereadores governistas desde antes do início da votação. A adesão de vereadores influentes ao bloco da oposição, como Faria Lima (PMDB) e Toninho Paiva (PFL), influenciou o voto de muitos colegas, segundo avaliação dos próprios aliados do prefeito Celso Pitta (PTN) na Câmara.
"Muita gente se iludiu com as luzes da televisão", disse o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). Segundo ele, o quadro começou a ser alterado por volta do meio-dia, quando parlamentares influentes afirmaram sua posição contrária ao prefeito. A partir daí, afirmou o peemedebista, vários colegas também começaram a dizer que estavam em dúvidas e poderiam votar de forma desfavorável ao prefeito.
Os aliados de Pitta contavam com pelo menos 25 votos contrários à abertura da comissão processante. Durante a manhã, houve várias reuniões entre os governistas. A principal delas foi da bancada do PMDB, que contou com a presença de Toninho Paiva (PFL). "Fui chamado para dizer minha opinião", disse Paiva, que chegou no fim do encontro.
De manhã, ele foi um dos parlamentares que encontrou-se com o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg. Segundo Paiva, ele foi à Prefeitura para comunicar sua posição em relação à votação.
Nos bastidores, os vereadores comentavam que faltou habilidade política do Palácio das Indústrias para contornar a situação. O principal motivo foram as exigências feitas por parlamentares para que votassem favoravelmente ao prefeito. "Houve até quem pedisse uma secretaria", disse um vereador com amplo trânsito no Palácio das Indústrias. O governo não conseguiu atender as exigências e o resultado foi um placar desfavorável a Pitta, segundo o vereador. Para ele, os articuladores de Pitta deveriam ter tentado armar uma estratégia política apenas com os líderes das bancadas. "Como eles ficaram conversando com todos, muitos se acharam no direito de pedir o que quisessem para votar contra", disse o vereador.
Até as 15 horas oposição e situação não cantavam vitória. Venceu a oposição, que soube esperar e contabilizar os seus votos favoráveis. "O Brasil Vita, Miguel Colassuono e Wadih Mutran tentavam indicar os votos e percebemos que os governistas não estavam seguindo a orientação", disse José Eduardo Martins Cardozo (PT).


