Adaptar o paladar para baixar consumo
Desde muito cedo, nos primeiros anos de vida, somos acostumados com o sabor doce - seja nas primeiras colheradas de açúcar no leite que vai na mamadeira ou nas balas e pirulitos dadas como ''recompensa'' pelo bom comportamento da criança.
A bioquímica Rejane Dias das Neves Souza, doutora em engenharia de alimentos e professora da Unopar, explica que as papilas gustativas se acostumam rapidamente com o doce e a sensação fica registrada no cérebro. Mudar isso não é fácil. ''O problema é que o hábito é criado muito cedo. Já vi mães darem refrigerante na mamadeira'', conta Rejane.
Segundo a nutricionista Anne Rumiato não é preciso colocar açúcar na mamadeira, por exemplo. ''O leite materno não é doce, e se a criança estranhou o de vaca é porque precisa de um tempo maior para se acostumar'', argumenta, lembrando que o açúcar traz outro problema, o da cárie.
Diminuir a quantidade de açúcar e adoçante, afirmam as especialistas, é uma questão de acostumar o paladar. Nos sucos de frutas, por exemplo, não é preciso usar açúcar, mas frutas mais doces. ''É possível se acostumar com o sabor das frutas. Ao invés de uma laranja mais azeda, é só usar uma mais doce'', afirma Anne, reconhecendo que essa medida não funciona bem com o limão.
Outra tática é ir diminuindo gradativamente o açúcar que se coloca no café. E não esquecer que as ''delícias'' encontradas em padarias e confeitarias são puro açúcar e gordura, e devem ser evitadas. Outra alternativa é usar o açúcar mascavo, que, apesar das calorias e do sabor forte, ainda tem vitaminas e minerais. ''Tudo tem que ter limite, equilíbrio. A solução dos nossos problemas não está na geladeira'', afirma Anne.
O açúcar magro, combinação de açúcar e adoçante, não deve ser usado por quem tem diabetes. ''O poder de doçura é maior, e a pessoa acaba usando um pouco menos de açúcar'', explica Débora Sorgi.
No caso de crianças obesas, o endocrinologista pediátrico Claudinei da Costa ensina que o melhor é priorizar uma alimentação saudável, ao invés de dar produtos dietéticos. Ele explica que o açúcar não prejudica o crescimento da criança. O mito existe porque é preciso provocar hipoglicemia, com a injeção de insulina, para fazer um dos testes que aponta se há falta ou não do hormônio do crescimento.(C.P.)





