Um boi sem raça definida - animal cruzado - morreu vítima de raiva em uma propriedade rural de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) em 24 de julho, após ser mordido por um morcego. A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) foi acionada antes do óbito, no dia 22, prestando assistência ao dono do bovino em relação aos cuidados necessários com o animal e com as pessoas que tiveram contato com ele. O órgão está monitorando um raio de 12 quilômetros em fazendas da região, investigando possíveis abrigos de morcegos e alertando os pecuaristas sobre a importância da vacinação.

Não há como determinar a data exata em que o morcego atacou o boi, informou Marcelo Takeo Matsubara, chefe do Escritório Regional da Adapar em Londrina. Quando o proprietário contatou a Agência, listou os sinais clínicos observados: apatia, afastamento do rebanho, andar cambaleante, falta de coordenação motora, movimentos de pedalagem (sinais neurológicos graves) e opistótono (espasmo da coluna vertebral que resulta em uma posição de arco).

O órgão orientou os profissionais da fazenda antes e depois da morte do animal, no fim da tarde do dia 24, monitorando e acompanhando a evolução do quadro. O boi havia sido vacinado contra a raiva duas semanas antes, em 8 de julho. Até o momento, não há outros animais com sintomas na mesma prioridade.

Controlar os abrigos

A partir do registro do óbito, a Agência traçou um raio de 12 quilômetros para monitorar as propriedades rurais da área e procurar os habitats de morcegos. Geralmente, os mamíferos se encontram em locais de difícil acesso, como cavernas, ocos de árvores e bueiros. “A Adapar já iniciou as revisões dos abrigos da região. O serviço oficial de defesa sanitária tem prerrogativa para controle populacional dessa espécie de morcego hematófogo (desmodus rotundus)”, comunicou Matsubara. Este tipo se alimenta exclusivamente de sangue.

Imagem ilustrativa da imagem Adapar monitora transmissão de raiva após morte de boi em Tamarana
| Foto: Divulgação/Adapar

O diretor adiantou que os próximos passos do Escritório Regional serão reforçar a disseminação de informações sobre a importância e necessidade da vacinação antirrábica nos herbívoros e realizar controle nos abrigos. "Não temos, até o momento, mais investigações de outros animais suspeitos de raiva no Estado."

Questionada sobre o possível apoio prestado ao órgão estadual, a Prefeitura de Tamarana informou, em nota, que a campanha e a realização da vacinação contra a raiva é exclusiva da Adapar. "O que nós fazemos é, durante as campanhas, contribuir com posts em nossas redes sociais, site da Prefeitura e, em alguns casos, carros de som”.

Transmissão da raiva

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda e que afeta mamíferos, inclusive o ser humano, caracterizada como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. Causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae, ela provoca inflamação no cérebro e, se não for tratada a tempo, quase sempre leva à morte.

A transmissão ao homem ocorre pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e lambedura. O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano. Também oscila dependendo da localização, extensão e profundidade do contato com a saliva do animal infectado; da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.

Não se sabe ao certo qual é o ciclo de transmissibilidade do vírus em animais silvestres, mas é certo que os morcegos podem albergá-lo por longo período, sem sintomas aparentes. É essencial nunca tocar nos mamíferos, principalmente se estiverem caídos no chão. Existem medidas eficientes de prevenção contra a raiva, como a vacinação humana e animal, soro antirrábico humano e a realização de bloqueios de foco.

Animais de estimação e produção devem ser imunizados a partir de 3 meses de idade, com segunda aplicação após 30 dias e repetição anual.

Com Ministério da Saúde

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