Acusados usavam 'laranjas' como autores
Curitiba Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o chefe da Delegacia de Crimes Fazendários da Polícia Federal (PF), delegado Omar Gabriel Haj Mussi, que acompanhou as investigações desde o início, explicou que o grupo usava títulos ao portador, já prescritos, cuja autenticidade está sendo investigada, para propor ações judiciais contra a Petrobras e Eletrobrás. Usava ''laranjas'' como autores, pedindo antecipação de tutela para a cobrança dos títulos. ''Eram pessoas que não tinham poder aquisitivo para serem detentoras desses títulos milionários'', observou o delegado, lembrando que um dos autores era jardineiro de um cemitério em Araucária (região metropolitana).
Mussi não deixou claro como o grupo conseguia as liminares judiciais sem que a Petrobras e Eletrobrás tomassem conhecimento. As tutelas foram requeridas na Justiça Estadual do Maranhão, Pernambuco, Goiás, Amazonas, Alagoas, Pará e Paraná. A esfera estadual, segundo ele, não tem competência para julgar ações contra empresas federais. O delegado também não admitiu a participação de juízes nas fraudes. ''Essas circunstâncias estão sendo investigadas'', afirmou.
De posse das liminares, o grupo tentou aliciar gerentes do Banco do Brasil (BB), oferecendo propinas, para que eles cumprissem a ordem judicial de imediato, sem seguir os trâmites normativos impostos pelo banco. A estratégia era a de evitar que Petrobras e Eletrobrás entrassem com recursos para bloquear os pagamentos.
A investigação pela Polícia Federal e Ministério Público Federal começou em novembro de 2003, quando o BB procurou a PF para comunicar que o gerente geral de uma de suas agências de Curitiba havia recebido proposta de propina no valor de US$ 3 milhões para que cumprisse uma ordem judicial sem comunicar o Departamento Jurídico do banco, conforme procedimento legal. O golpe, que não chegou a se realizar, seria de R$ 90 milhões.
Entre os golpes levantados pela PF, a ação judicial que envolveu maior foi valor tramitou em Cascavel. Em julho de 2003, a 1 Vara Cível do município concedeu liminar ao pedido de tutela antecipada do valor de R$ 600 milhões. Outros casos envolvem decisões das Justiças do Maranhão, Pernambuco, Alagoas e Amazonas, em valores que variam de R$ 32 milhões a R$ 86 milhões.(M.G. e A.L.)





