Curitiba - A Justiça de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ajuizou ontem uma ação por ato de improbidade administrativa denunciando 20 pessoas envolvidas na prática de tortura contra os quatro suspeitos pela morte da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. A jovem foi assassinada em junho deste ano.
Estão sendo processados por tortura um delegado, 11 policiais civis, um agente de apoio da Polícia Civil, dois guardas municipais, um soldado da Polícia Militar, um soldado aposentado da PM e dois detentos. A exceção é um agente de carceragem, que está sendo processado por abuso de autoridade e lesões corporais.
"É uma ação que corre paralelamente. Eles já foram denunciados na esfera criminal pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e, agora, como se trata de um caso envolvendo servidores públicos, também poderão responder na esfera civil. Além disso eles ainda podem sofrer sanções administrativas por meio de procedimentos já abertos pelas Corregedorias de cada corporação", explicou o promotor Paulo Conforto, da 6ª Promotoria de Justiça de Colombo, que ajuizou a ação.
Se forem condenados por improbidade, os acusados poderão perder a função pública, ter suspensos os direitos políticos por período de três a cinco anos e pagar multa civil de até cem vezes o valor da remuneração recebida, entre outras sanções. Conforto informou que pediu a decretação de segredo de Justiça ao processo. Segundo ele, o objetivo é preservar a intimidade das vítimas. O promotor ainda lembrou que os acusados serão notificados para apresentarem suas defesas.

Caso
A investigação sobre o assassinato da adolescente Tayná foi reiniciada em 15 de julho, após determinação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). O primeiro inquérito, que apontava o envolvimento dos quatro suspeitos (Adriano Batista, de 23 anos, Sérgio Amorin da Silva Filho, de 22, Paulo Henrique Camargo Cunha, de 25, e Ezequiel Batista, de 22), não foi acatado pelo MPPR. Os promotores consideraram que não havia provas suficientes para oferecer denúncia.
O trabalho inicial de investigação foi posto em xeque por um laudo pericial da Polícia Científica apontando que o sêmen encontrado na calcinha da jovem não batia com o DNA de nenhum dos quatro suspeitos. Além disso, com as denúncias de tortura, os rapazes foram soltos e incluídos no programa de proteção a testemunhas.

Inquérito
Na próxima segunda-feira as investigações sobre o caso completam cinco meses, ainda sem uma solução. O inquérito já passou pelas mãos de três delegados e agora está sob responsabilidade de Cristiano Quintas, da Delegacia de Homicídios (DH) da capital. O delegado solicitou, no último dia 10, mais trinta dias para concluir o caso. O MPPR informou, por meio de assessoria, que os promotores responsáveis pelo caso, Paulo Sérgio Markowicz de Lima e Ricardo Casseb Lois, ainda não receberam o inquérito para analisar se acatam ou não o pedido do delegado.

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