Salvador, 01 (AE) - O líder do governador César Borges (PFL) na Assembléia Legislativa, deputado estadual Pedro Alcantara (PFL), e o desembargador Mário Albiani vão processar o desembargador Lourival Ferreira assim que ele confirme, por escrito, ter sido pressionado pelos dois para libertar o preso Vander Dornelles. Além de Alcantara e Albiani, Ferreira também citou outro colega, o desembargador Walter Brandão, como a terceira pessoa que o teria procurado para saber do andamento da concessão de um habeas-corpus em favor de Dornelles.
Albiani disse que Ferreira "faltou com a verdade". Chamou-o de "leviano" e pessoa sem "credibilidade", interpretando que foi citado pelo colega para atingir o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Jatahy Fonseca, de quem é amigo. "Tudo isso faz parte de um esquema e os desembargadores sabem disso", declarou, sem explicar que esquema existiria no Judiciário baiano. Albiani disse ter pedido as notas taquigráficas da sessão do Tribunal Pleno, nas quais Ferreira aponta as três pessoas que o pressionaram, para tomar "providências judiciais".
O mais nervoso hoje era o deputado Alcantara, que tentou desmentir as declarações dadas um dia antes sobre seu telefonema ao desembargador Ferreira. Nas declarações publicadas em todos os jornais de Salvador, inclusive o "Correio da Bahia", de propriedade da família do presidente do Congresso senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), o deputado explicou ter ligado para Ferreira a pedido de um advogado amigo, Márcio Bacelar, contratado pelo assaltante Dornelles. Hoje ele garantiu: "Não pedi nada pois não houve tempo para conversar com ele (Ferreira)".
Alcantara foi contraditório - num momento disse sequer ter telefonado para o desembargador e, em seguida, assegurou que os telefonemas entre deputados e desembargadores "para tratar de assuntos" são normais. "Todo dia eu recebo também (telefonemas de desembargadores) quando tem projeto aqui", disse.
Foi desmentido pelo seu próprio vice-líder o deputado Clóvis Ferraz (PFL) que tentava defender Alcantara. "Eu nunca liguei (para desembargador) e também não tenho conhecimento de colega que tenha ligado; os poderes são independentes, não existe essa relação direta, isso não é comum", disse. O líder Alcantara informou ter pedido as notas taquigráficas com as declarações de Ferreira e se ele confirmar ter citado seu nome vai tomar providências "na luz da lei".
Já o deputado Marcelo Nilo (PSDB), que avisou a CPI do Narcotráfico sobre o caso baiano, disse que depois da revelação dos nomes "o governador César Borges tem o dever ético de criar os meios para a formação de uma CPI na Assembléia Legislativa para investigar as denúncias, sob pena de ficar enlameado". Por intermédio de sua assessoria de imprensa, Borges avisou que não pretende se meter no assunto, que deve ser resolvido pelo Legislativo. Uma comissão de quatro deputados da CPI do Narcotráfico deve ouvir o desembargador Ferreira na sexta-feira (03).

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